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Dilma: Smith ou Keynes?

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(4’45” / 1,09 Mb) – O governo Dilma surpreendeu novamente, agora na economia. Anteriormente já havia surpreendido na política com o que ficou conhecida como a “faxina” de Dilma ou “faxina ética”. A surpresa na área econômica agora veio com uma medida claramente de corte neoliberal que se orienta pelo rigor da disciplina fiscal, o aumento do superávit primário; e segundo, com uma medida que vai na contramão da lógica neoliberal e classifica-se como keynesiana: a redução da taxa de juros.

Perplexidade. É dessa forma que as notícias da conjuntura econômica dos últimos dias foram recebidas pelo mercado, por economistas e por analistas. O ziguezague das análises é enorme.

Como explicar duas decisões tão díspares? Essa aparente esquizofrenia encontra justificativa? Ortodoxia e heterodoxia econômica podem caminhar juntas? É possível compatibilizar medidas antagônicas fundadas em correntes econômicas – liberalismo e keynesianismo - tão opostas? Por que Dilma adota políticas econômicas, ora de caráter restritivo, e ora expansivo? Essas são, dentre outras, algumas questões postas a partir dos acontecimentos da última semana.

A presidente Dilma Rousseff sempre foi vista e classificada como desenvolvimentista, concepção política que defende o protagonismo do Estado como indutor do crescimento econômico. A sua formação acadêmica de economista se deu, sobretudo, na Unicamp, escola reconhecida como tributária do pensamento keynesiano, corrente econômica que defende a intervenção do Estado junto à economia de mercado na correção de distorções.

As medidas, entretanto, adotadas desde o início do seu governo têm combinado o receituário (neo)liberal com o receituário keynesiano.  O governo orienta-se, ora pelo rigor da disciplina fiscal e ora adota medidas de caráter keynesiano. O pêndulo move-se de um lado para outro.

Exemplos da oscilação do pêndulo foram vistos, por exemplo, quando Dilma jogou pesado na obstrução do aumento do salário mínimo no início do ano e, ato contínuo, anunciou um corte no orçamento no valor de R$ 50 bilhões. Ao mesmo tempo e simultaneamente a essas medidas, o Banco Central passou a escalonar as taxas de juros. O conjunto dessas medidas identificou-se com o receituário neoliberal com o claro objetivo de frear o aquecimento da economia para mitigar a inflação e poupar recursos para o pagamento dos encargos da dívida. As decisões causaram surpresas. Como uma presidente desenvolvimentista adota medidas neoliberais?

Ao mesmo tempo, porém, em que adotava essas medidas de ajuste fiscal, Dilma também adotou medidas de caráter keynesiana como se viu no aumento do Bolsa Família, num primeiro momento e o Plano Brasil Sem Miséria, num segundo. Faz poucas semanas, anunciou outra medida de inspiração keynesiana ainda mais forte: uma nova política industrial.

Essa oscilação do pêndulo entre medidas aparentemente contraditórias, que ora estão na lógica da economia de mercado (liberalismo) e ora no âmbito da economia política (reforço do papel do Estado/política), ganharam destaque na última semana. Há lógica nesse ziguezague que novamente agora se manifesta com o anúncio do aumento do superávit primário e a redução da taxa de juros? Isso significa que o governo Dilma combinará políticas econômicas de corte neoliberal e keynesianas. Um paradoxo? Para o governo não, para os manuais de economia sim.

Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

06/09/11