Skip to Content

Indústria e o pacote de Dilma

  • warning: Parameter 2 to genericplayers_swftools_flashvars() expected to be a reference, value given in /data_cpro6462/ranp/public_html/includes/module.inc on line 476.
  • strict warning: Non-static method view::load() should not be called statically in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/views.module on line 906.
  • strict warning: Declaration of views_handler_argument::init() should be compatible with views_handler::init(&$view, $options) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/handlers/views_handler_argument.inc on line 744.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_validate() should be compatible with views_plugin::options_validate(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_submit() should be compatible with views_plugin::options_submit(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.

Está faltando algum conteúdo do Flash que deveria aparecer aqui. Talvez seu navegador não possa exibi-lo. Instale a última versão do Flash em seu computador, ou atualize sua versão.

(5’59” / 1,35 Mb) – O peso da indústria de transformação na economia nacional já foi na ordem de 30% nos anos 70, hoje está na ordem de 20% nas avaliações mais otimistas. Proporcionalmente ao encolhimento da indústria junto ao Produto Interno Brasileiro (PIB), assiste-se ao crescimento da economia baseada em produtos primários, a denominada commoditização ou ainda reprimarização da economia, com o avanço do agronegócio e da mineração. A pauta de exportações brasileira é feita, sobretudo, de produtos básicos, de commodities e mercadorias de baixa tecnologia. Por outro lado, cresce a pauta de importação de bens manufaturados.

Perda de espaço no competitivo mercado internacional e a precarização do mundo do trabalho são resultantes da desindustrialização. A vanguarda do capitalismo mundial situa-se em países de economias industrializadas e hoje, particularmente, naqueles que apostam e desenvolvem pesquisa e tecnologia em produtos da informação.

As medidas anunciadas pelo governo para conter o processo de desindustrialização da economia nacional compreendem-se a partir do contexto anterior e também numa conjuntura de forte retomada da crise econômica mundial.

O conjunto de medidas de incentivo a indústria batizado de Plano Brasil Maior foi bem recebido pelos empresários e contestado pelos sindicalistas.

Dentre as principais medidas anunciadas, estão a “desoneração” que reduz a zero a alíquota de 20% para o INSS na folha de pagamento de setores considerados sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional e intensivos em mão de obra, como o de calçados, confecções, móveis e softwares e o mecanismo de “reintegra” pelo qual o governo vai devolver ao exportador de bens industrializados 0,5% da receita da exportação, nos mesmos moldes da restituição do Imposto de Renda.

Além das medidas citadas, destacam-se ainda, o item “compras nacionais”, por essa medida, o governo se compromete da dar preferência por produtos nacionais em suas compras, mesmo que até 25% mais caros que os concorrentes estrangeiros e o incentivo às empresas que queiram investir em pesquisa e tecnologia e subsídios ao setor automotivo.

O Plano Brasil Maior será eficaz no combate ao processo de desindustrialização? As medidas anunciadas darão conta de estancar a crescente perda de peso da indústria no PIB nacional? Haverá uma maior oferta de empregos na indústria da transformação? O pacote coloca obstáculos aos bens manufaturados vindos da China? Quais são as contradições do Plano? Como ele se insere no contexto da crise econômica mundial?

Na opinião crescente de economistas e especialistas em política industrial, o Plano anunciado por Dilma é mais um remendo do que uma efetiva solução. Para economistas como Wilson Cano, o governo "está apenas colocando remendos em cima de uma colcha suja e velha”. Segundo ele, o Plano “tem um caráter político e foi feito para um Brasil nanico. O Plano é contraditório porque o que predomina na política macroeconômica hoje – e essa é a questão central – é uma política antiinflacionária. Então, o governo pisa em ‘cacos de vidro’ a todo o momento quando se trata de fazer renúncia fiscal, de aumentar gasto público e de alterar a taxa de juros”.  O Brasil precisa alterar a macroeconomia, diz Cano, particularmente no câmbio e na taxa de juros.

Em que pese às críticas, os empresários gostaram. Sobretudo porque o pacote traz redução de impostos e dinheiro em cash para o setor produtivo.  Diferentemente dos empresários, os sindicalistas não gostaram do pacote anunciado pelo governo, particularmente porque não foram consultados sobre o conteúdo do mesmo, irritaram-se ainda com o método, uma vez que foram chamados apenas às vésperas do anúncio para ouvirem e não discutirem o teor das medidas. As centrais interpretaram que o governo priorizou o diálogo com os empresários em detrimento ao diálogo com os trabalhadores.

No dia seguinte ao anúncio do pacote, acusando o golpe da irritação dos sindicalistas, e para dar uma demonstração de respeito às centrais, a presidenta Dilma reuniu-se com representantes das centrais.

A política industrial do governo foi anunciada no contexto de forte retomada da crise econômica internacional e a mesma deve ser interpretada a partir dessa conjuntura. O que reforça a tese de que o Plano é mais uma salvaguarda à crise que vem pela frente do que um pacote anti-industrialização e nesse sentido é antes de tudo um programa de defesa comercial frente à guerra do câmbio.

Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

08/08/11