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Correios: "Categoria tinha força para continuar greve"

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(7’14” / 1,66 Mb) - Após o final da greve dos trabalhadores dos Correios (ECT), parte da categoria começa a avaliar os resultados obtidos em 28 dias de paralisação. O movimento grevista só chegou ao fim depois da intervenção do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que exigiu o retorno dos trabalhadores às suas atividades.

Sem as propostas da pauta de reivindicação aceitas, os trabalhadores só conquistaram a reposição da inflação nos salários, que foi de 6,87%, e aumento linear de R$ 80.  Além de ser considerado um péssimo resultado para a categoria, os trabalhadores ainda terão que repor sete dias de paralisação, cumprindo expediente aos sábados e domingos. No início da greve, eles reivindicavam aumento linear de R$ 400, reposição da inflação em 7,16% e elevação do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635.

Em entrevista à Radioagência NP, a integrante da Corrente Ecetista – composta por trabalhadores da base dos Correios –, Anai Caprone, afirma que esse foi o pior resultado obtido pela categoria nos últimos 15 anos. Ela também lembra que o desfecho da greve colocou em dúvida o papel do sindicato, que, segundo ela, foi o responsável pelo resultado negativo.

Radioagência NP: Anai, em termos de conquistas salariais, qual a avaliação final da greve?

Anai Caprone: Em termos de reajuste salarial foi a pior conquista dos últimos 15 anos.  Nós ainda não temos todos os dados do julgamento, pois temos que esperar a documentação do TST. Por isso, ainda temos que analisar, com a chegada dos documentos, se a decisão não retirou outras conquistas da categoria.

Radioagência NP: E que balanço você faz em relação à intervenção do TST?

AC: Na realidade não foi um final, foi uma debandada após o julgamento do Tribunal. O TST atuou claramente a pedido da Empresa para oferecer um argumento político para a burocracia sindical que apóia o governo. A greve, infelizmente, não terminou por uma decisão dos trabalhadores.

Radioagência NP: Se a greve estava forte, em nível nacional, por que os trabalhadores voltaram imediatamente ao trabalho?

AC: Em exceção a Minas Gerais, não houve assembleias em nenhum estado do Brasil. Em Minas os trabalhadores decidiram democraticamente. No restante, os sindicatos simplesmente mandaram os trabalhadores de volta ao trabalho. Foi uma debandada que não corresponde a nenhum movimento sindical. Foi manifestação das diretorias dos sindicatos que em nível nacional são representantes da Empresa. Utilizaram-se da decisão para desmontar uma greve forte, que estava em nível nacional.  Desmontaram uma greve que nem foi considerada abusiva. Mostrando que a decisão do TST não tem legitimidade legal e nem política.

Radioagência NP: Você quer dizer que os sindicatos tiveram papel decisivo no fim da greve?

AC: Os sindicatos foram os agitadores, defensores e organizadores da decisão anti-trabalhador do TST. Se eles não tivessem tomado a iniciativa de não realização de assembleias e  de comandar a debandada, os trabalhadores teriam participado de assembleias e rejeitado a decisão do TST. Muito provavelmente a greve continuaria. Se submeter à decisão do TST condena e acaba com qualquer movimento sindical e não é bom para ninguém na sociedade brasileira.

Radioagência NP: Como ficou o papel do Comando de Negociação da greve neste contexto?

AC: O Comando perdeu legitimidade quando aceitou a proposta da ministra [Maria Cristina Peduzzi] – na audiência de negociação – e as assembleias votaram contra a proposta aceita pelo Comando. Com isso, os trabalhadores anularam qualquer poder de negociação e influência deste Comando dentro da base da categoria. Diante do quadro, o Tribunal abriu negociação com os representantes dos sindicatos. Por isso, essa volta ao trabalho é de responsabilidade das diretorias dos sindicatos que se apoiaram na decisão do TST e na vontade da Empresa e fizeram a greve refluir.

Radioagência NP: Depois desse desfecho, como fica a atuação dos sindicatos frente aos trabalhadores?

AC: Os sindicatos vêm em uma desmoralização diante da categoria muito grande. Essa greve onde os trabalhadores votaram massivamente contra a proposta aprovada pelos sindicatos mostra uma consciência que os trabalhadores têm de que os sindicatos não representam mais o interesse dos trabalhadores. Existe uma tradição na categoria de realização de assembleias, agora, neste contexto, até isso os sindicatos extinguiram. A avaliação da categoria é que imediatamente precisa-se promover uma organização de fato profunda. Hoje há um consenso que os trabalhadores não devem seguir a orientação política dos sindicatos.

Radioagência NP: O resultado final desta greve pode prejudicar futuras mobilizações da categoria?

AC: A situação econômica e o aumento da inflação não deixam alternativa para os trabalhadores a não ser a da greve.  A greve é a única arma contra esta situação trabalhista que é muito ruim. O problema dos baixos salários junto com o reajuste rebaixado como o atual, não permitem sustentar a situação. A greve nesse contexto é inevitável. Ela não depende da vontade dos sindicatos e nem da vontade dos trabalhadores, ela vai se colocar como forma de defesa coletiva da categoria. E com certeza na próxima greve teremos que enfrentar novamente o TST.

De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.

17/10/11