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Indignados e desencantados

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*Cesar Sanson

(6’42” / 1,53 Mb) - Após uma década do surgimento do “Povo de Seattle” (1999), do “Povo de Porto Alegre” (2001) e de Gênova (2001), o movimento altermundialização irrompe novamente nas praças do mundo. Tudo começou com Tahrir (Egito) e logo depois veio Puerta del Sol (Espanha), Syntagma (Grécia), Zuccotti (EUA) desaguando no movimento 15.O (15 de Outubro), desde já considerado uma das maiores manifestações globais. Essa mobilização foi organizada a partir do lema “unidos para a mudança global” e da palavra-chave do twitter (hashtag) #globalrevolution – evocando que agora a revolução informacional penetrou fortemente na nova forma de se fazer luta social.

15.O – a primeira grande manifestação realizada 24 horas em todo o mundo – está mais para “maio de 68” do que para as lutas antiglobalização do início do século. Porém, mesmo a identificação com 68 é insuficiente, porque agora, já não é tanto a utopia que anima a tomada das ruas e das praças, mas acima de tudo o desencanto, o “cansaço” com a falta de perspectivas, com a sempre e cada vez maior precarização da vida. "Não, não pagaremos pela sua crise", é um dos principais lemas dos jovens de hoje pelo mundo afora. Já não é tanto o “é proibido proibir” (maio de 1968) ou o “outro mundo é possível” (FSM - 2001) que impulsiona os indignados às ruas.

Tampouco a “primavera árabe”, simbolizada a partir da Praça Tahrir no Egito, é igual à luta de Puerta del Sol na Espanha, de Zuccotti nos EUA, da Praça Syntagma na Grécia ou dos black bloc em Roma. Com exceção da primavera árabe, se há algo que une os indignados nas ruas em todo o mundo é a percepção de que o mundo que lhes está sendo deixado caminha para a destruição total. A democracia, particularmente a democracia representativa, é ineficaz e o capitalismo produtivista e consumista destroi a vida futura, porque destroi o planeta.

A falta de perspectiva, o nada a perder e nem a esperar, a raiva social niilista está na origem e permeia o movimento dos indignados.

O movimento dos indignados que agora irrompe guarda semelhanças com as lutas travadas em Seattle, Porto Alegre e Gênova que deram origem ao movimento antiglobalização. Porém, não se trata do mesmo movimento. Poder-se-ia dizer que se os movimentos dos anos 2000 eram de caráter mais conjuntural, mas que o movimento dos indignados aponta para aspectos estruturais e que colocam em causa a denominada crise civilizacional. Daí vem a existência de muitas pautas e não apenas de uma pauta.

Diferentemente dos movimentos dos anos 2000 que eram hegemonizados por Ongs, o movimento dos indignados é protagonizado por pessoas de diferentes grupos sociais, se declara autônomo, sem filiação, sem hierarquia, sem liderança, quase anárquico, embora não o seja. Surgem à margem das instituições tradicionais – partidos e sindicatos – e se valem das redes sociais. Emergem da “força do anonimato”.

O movimento antiglobalização anterior manifestava ainda certa convicção da capacidade de mudança mais profunda a partir das lutas sociais, de mudança nos rumos da política. Entretanto, o mercado triunfou, particularmente no Ocidente e na América do Norte. A “esquerda” do Velho Continente assimilou a agenda neoliberal. As grandes corporações e o mercado financeiro passaram a dar as cartas. Daí vem o desencanto com mudanças profundas e a descrença total nas instituições políticas.

Entre os indignados há uma percepção de que a política não foi, não é, e não será capaz de ser portadora do novo e da inclusão social. Os indignados manifestam cansaço com tudo o que está aí. Segundo Zygmunt Bauman, “as pessoas se sentem sós e ameaçadas pela perda do emprego, da redução dos ganhos, da dificuldade de adaptação ao risco. O stress é corrente entre os desempregados, mas também nos empregados, pressionados pela demissão, as aposentadorias precoces ou salários cada vez mais baixos”.

O desencanto com a política manifesta-se de forma mais evidente no movimento dos indignados da Grécia, da Itália, da Espanha e do “Ocupa Wall Street” nos Estados Unidos.

Se por um lado, o movimento dos indignados pode ser interpretado como um movimento cético em relação a mudanças substanciais, ele também é visto como um movimento que pode apontar para implicações de mudança estrutural e um sinal de que se está no âmago de uma bifurcação civilizatória.

Para a ativista Naomi Klein, “a questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também”. Segundo ela, está na hora “de mudar os valores que governam nossa sociedade”. Para Eric Toussaint “é o capitalismo que está no centro do que é posto em questão”.

É isso que o movimento dos indignados põe em questão: o capitalismo.

*Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.