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Avalanche racista ou cotidiano revelado?

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Por Douglas Belchior*

(4'25'' / 1.45 Mb) - Há menos de um mês, em 13 de Dezembro, cerca de 60 manifestantes realizaram um protesto em frente ao colégio Internacional Anhembi Morumbi, no bairro do Itaim Bibi, área nobre de São Paulo, depois de um caso de racismo ter ocupado o noticiário dos principais telejornais do país. A estagiária negra Ester Elisa da Silva Cesário, de 19 anos, teria sido coagida por sua chefa a alisar o cabelo para continuar em seu emprego.

Ainda antes da virada do ano, em 30 de Dezembro, um casal de turistas espanhóis teve seu filho adotivo expulso do interior do fino restaurante Nonno Paolo, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O menino etíope – e negro, de apenas 6 anos, bem cuidado e convenientemente trajado, foi “confundido” com uma criança de rua, segundo admitido pelo próprio gerente que o escorraçou.

Ainda sob a ressaca do novo ano, a Rede Globo levou ao ar a denúncia da prisão irregular do jovem negro de 26 anos, Michel Silveira, Agente de Saúde da Prefeitura de São Paulo. O rapaz, “reconhecido” na rua por uma vítima de assalto, está preso há mais de dois meses. Família, amigos e colegas de trabalho reuniram provas que demonstram que no dia do roubo, o jovem negro estava trabalhando.

Na “Cracolândia” no bairro da Luz em São Paulo, uma população, de esmagadora maioria negra, é tratada com espancamentos, bala de borracha na boca e atropelamentos por viaturas da polícia, tudo sob a justificativa de “combater o crack”.

E agora, no dia 9, nos estarrecemos com a ação do Policial Militar na USP que, após um diálogo acalorado com diversos jovens estudantes brancos, resolveu descontar sua raiva no único negro presente, tendo inclusive apontado sua arma para a cabeça do rapaz.

No Brasil, cabelo liso é padrão estético e corporativo. Errado é quem desobedece à norma. Se comprovada a ação racista da Diretora, ela será punida pela Justiça e pelo empregador. Mas e o Colégio?

A rua é o lugar de crianças negras, e não buffets de classe média. O gerente só fez o habitual. Estranho ali, só o etíope de 6 anos. O funcionário já foi afastado. Mas e o restaurante?

Um negro preso sem provas de crime algum. Mais que isso: com provas de sua inocência. E há mais de dois meses! Ora, um preto acusado de roubo? Quem dúvida? Pra quê provas? E o delegado que prendeu sem provas? E o Judiciário Brasileiro?

Vício é crime e não doença, portanto, polícia e não médicos. Pretos, pobres, moradores de rua são lixo, não gente. E os direitos humanos?

O PM “agressor racista” da USP foi afastado. Ele deve morar mal, vestir mal, comer mal, mas já foi corretamente punido. Mas e a corporação? E o Governador? E o Estado?

Até quando o racismo terá condição coadjuvante para efeito da ação política dos movimentos populares, sindicatos e partidos de esquerda?

As elites, os ricos e o Estado entendem isso muito bem. Nós não.

Ano novo, racismo de sempre! O Movimento Negro e Popular tem motivos para antecipar o carnaval, não acham?

* Douglas Belchior é professor de história e integrante do conselho geral da União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro).

13/01/12