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Greve já!

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"A educação pública brasileira, em seus três graus sofreu, nos últimos anos, transformações catastróficas na sua estrutura de funcionamento."

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Por Roberta Traspadini*

(4'48''/936 Kb) - A educação pública brasileira, em seus três graus sofreu, nos últimos anos, transformações catastróficas na sua estrutura de funcionamento.

No caso do ensino superior, a aprovação do Reuni, com a aparente justificativa de democratização do ensino público superior, revelava as mudanças que viriam para ficar e abalar ainda mais o funcionamento precário do mundo do trabalho-educativo do sistema público universitário.

O fato de um número maior de indivíduos das classes populares ter acesso às instituições públicas, não pode ser confundido com a permanência e a vivência concreta nestes espaços ao longo do tempo que passarão pelo curso.

Entre estas mudanças estão:

- A diminuição substantiva do orçamento da união para a educação pública;

- A era do produtivismocapes, que reitera a função docente centrada na titulação epublicações(lattes);

- As contratações temporárias que sequer estão conformadas legalmente no plano da categoria docente com uma entidade que a represente;

- A falta de condições estruturais como moradia estudantil, transporte livre e restaurante universitário garantido em todos os campi;

- A educação à distância que vem ganhando força,implementada como um estado natural,fruto de um processo anti-dialógico e anti-reflexivo sobre os prós e os contras de dita reestruturação em um País como o Brasil;

- A burocratização formal da utilização dos recursos e a implementação das fundações como o polo aglutinador e distribuidor das verbas liberadas para os projetos federais a serem executados pelos docentes destas instituições;

- A desigualdade formal e real explicitada nos contrastes salariais entre professores dos IFES, CEFETES e das universidades federais e no interior destes a partir da diferenciação de planos de cargos e salários que hierarquizam o conhecimento a partir do plano desigual de suas remunerações.

O servidor público federal se transformou, nos últimos anos, numa presa vital para o capital. Este, antes de consumir com todo ardor o trabalhador da esfera pública, esquarteja sua vítima, a partir das transformações acima citadas, antes de servi-lo no banquete dos poucos grupos que comandam o desenvolvimento econômico do País.

O avanço técnico-científico reforça na sociedade do século XXI, a era dos sem tempo. Vale ressaltar que o tempo é a medida do valor utilizada pelo capital contra o trabalho no modo de produção capitalista.

Destempo: lutar por direitos na era individualista dos sem tempo.

A dialética do concreto é implacável na era dos sem tempo,que lutam a destempo do tempo hegemônico do capital.

Se os servidores fazem uma assembleia e instituem a greve como mecanismo reivindicativo legítimo e legal, uma parte expressiva dos estudantes e professores continua.

Se os professores, à luz do mesmo direito, param, uma parte expressiva deste próprio grupo, os estudantes e os técnicos administrativos continuam.

Essas paradas, em movimento, que são legítimas, legais e necessárias, nos mostram a sociedade dos sem tempo em destempo (luta) no atual tempo de reestruturação da crise do capital.

O destempo das lutas nos remete à aparente vitória do plano individual pelo coletivo. As greves são o nado contra a corrente do tempo do capital, de se lutar por um plano mais democrático, mais equitativo para toda a rede pública federal, em uma era de degradação do público pela nova proposta privada de políticas públicas, de conformação programada-execução da educação como mercadoria.

A greve nos remete a uma posição necessária da aparente desordem queexige, dentro da ordem, uma essência menos perversa, menos pedante, menos mercadológica para todas as esferas reivindicadoras.

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. É hora dos estudantes, dos assistentes, e de uma parte dos professores que está ausente se levantar e parar junto. É hora de voltar a fazer coletivamente o que individualmente não é possível. É hora dos levantes docentes, discentes, técnicos e populares.

Se isto ocorrer, mesmo em meio da era dos sem tempo, colocaremos em movimento o destempo do capital, isto é, a luta do trabalhador em unidade. Estaremos em tempos de reconfiguração de nossos seres coletivos em movimento. Em tempos de movimento aberto para a possibilidade de reestruturação de um projeto para além do capital. Em tempos de voltar a tecer a teia do projeto popular para o Brasil.

Que venham, se multipliquem e se unifiquem as greves!

*Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

17/05/12