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No Carnaval, veneno pode se virar contra o envenenador

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A escola Vila Isabel  no carnaval deste ano pretende homenagear os pequenos agricultores. Porém, a Vila está sendo patrocinada pela multinacional Basf, representante do agronegócio, maior empresa química do mundo.

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(7’20” / 1.68 Mb) - No carnaval deste ano, a escola Vila Isabel pretende, com o enredo “O Brasil celeiro do mundo: água no feijão que chegou mais um”, fazer uma homenagem aos pequenos agricultores. No entanto, a Vila está sendo patrocinada pela multinacional Basf, representante do agronegócio, maior empresa química do mundo e a terceira que mais vendeu agrotóxico no Brasil.

Os movimentos sociais elogiaram o tema e a letra do enredo, mas repudiaram em carta o patrocínio da Basf à escola. Para o professor e escritor Luiz Ricardo Leitão, a contradição presente no desfile da Vila Isabel é a mesma presente no campo brasileiro.

Em entrevista à Radioagência NP, Leitão fala sobre o desfile da Vila Isabel, a situação das escolas de samba hoje, e os meios que o agronegócio utiliza para passar uma imagem simpática à população.

Radioagência NP: Qual sua opinião sobre o tema da Vila Isabel?

Ricardo Leitão: A abordagem desse tema, de natureza agrária revela um equilíbrio entre as próprias disputas que existem hoje no seio da sociedade brasileira. De um lado, a monocultura, o latifúndio, os grandes barões do agronegócio, e do outro os movimentos sociais, a luta dos assentados, buscando implantar a agricultura familiar. A noção de partilha que aparece na letra quando se fala que é preciso “investir, conhecer, progredir, partilhar e proteger” é uma maneira de equilibrar o tema entre a ganância desenfreada do agronegócio no Brasil e os reclamos da parcela que busca fazer da agricultura familiar uma atividade essencial na vida econômica do país.

Radioagência NP: Apesar desse equilíbrio, a Vila Isabel está sendo patrocinada pela Basf. Esse patrocínio não gera uma contradição?

Ricardo Leitão: O patrocínio da Basf, na verdade como o de tantas outras empresas, se dá pela voracidade com que eles nesse momento estão buscando se representar no imaginário nacional. Quem se habituou a ver na Vila Isabel uma escola de temas progressistas, o contraste imediato surge, não resta a menor dúvida. Esse processo não está restrito à Vila. Eu lhe diria que a maioria das grandes escolas hoje vive assediada, por um lado por corporações multinacionais, por outro, por governos. É uma contradição dentro da história da Vila, mas não é um fato isolado dentro da história mais recente do carnaval mercantil que nós temos.

Radioagência NP: O patrocínio de empresas ou de governos é uma condição necessária para que as escolas desfilem?

Ricardo Leitão: Não era. Em momento algum seria se não tivesse uma atividade essencialmente espetacularizada como se tornou o desfile das escolas de samba, e por outro lado, não se pode ignorar que a prisão de vários “banqueiros do bicho” debilitou algumas direções de escola.

Esses elementos que significam o poder paternalista do bicheiro debilitado e por outro lado o avanço do capital sobre todas as manifestações culturais do país, concorrem para um quadro de debilidade das escolas que, não obstante isso, ainda contam com uma força interna da comunidade. A Vila Isabel é uma escola que distribui fantasias praticamente para toda a comunidade, e ela, num instante de crise, porque não nos esqueçamos que seu ex-presidente foi e continua preso até hoje, se tornou mais vulnerável a esse tipo de acordo.

Radioagência NP: Mas por que as empresas misturam a agricultura familiar com o agronegócio, tentando passar uma imagem um pouco mais humana?

Ricardo Leitão: Isso não resta dúvida. Se o movimento popular investe na agricultura familiar, eu devo me colocar ao lado dele, não contra. Isso se chama exatamente confundir. O agrotóxico é vendido como um produto para o conjunto e não para um só segmento. É preciso desenvolver o ideologema da unidade, ninguém se anuncia como exclusivo de um segmento, sobretudo se esse segmento for o agronegócio, que está estigmatizado não apenas por esse aspecto, como também pelo desmatamento, e é muito difícil se associar a um segmento que é responsável pelo desmatamento, pela deturpação do Código Florestal, pela transformação da Amazônia em algo que o cidadão comum não aceita, que é um espaço de deserto.

Radioagência NP: Você vê possibilidades de essa farsa ser derrubada?

Ricardo Leitão: É muito antipático você se caracterizar assim, é preciso mudar a imagem, e esse é o jogo da ideologia, você inverte: ao invés de você ser o representante do oligopólio, você é um defensor de todos os segmentos agrícolas do país. É a solução que eles encontram, e é preciso veiculá-la assim. Só que eu tenho minhas dúvidas sobre a eficácia neste caso específico. Ainda é cedo para falar, porque o carnaval é daqui duas semanas, mas até o momento, o veneno talvez vá se reverter contra o envenenador. Não sei ainda, talvez seja otimismo meu.

De São Paulo, para a Radioagência NP, José Coutinho Júnior

01/02/13

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