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Em SP, ato reúne mil jovens por reformas estruturais e contra Alckmin

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A marcha, que encobriu com gritos e canções o som do trânsito, faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Juventude. As ações ocorrem de 25 de março a 11 abril, em mais de 15 estados do país.

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jornada0(5’49” / 1.3 Mb) - Da praça da Sé à praça da República, cerca de 1 mil jovens percorreram as ruas centrais da cidade de São Paulo, na terça-feira (26), para pedir mais verbas para a educação, o fim da violência contra os jovens negros, a democratização dos meios de comunicação e a reforma agrária. Além da reforma política e outras pautas estudantis e trabalhistas.

A marcha, que encobriu com seus gritos e canções o som do trânsito paulistano por toda a manhã, faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Juventude, que iniciou no dia 25 de março e vai até 11 abril, com ações em mais de 15 estados do país.

As bandeiras que os jovens traziam em punho representavam as várias organizações que construíram o ato, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Nação Hip Hop Brasil, o Fora do Eixo, a Marcha Mundial das Mulheres e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

Logo no início do ato, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, ressaltou a importância da unidade política para a construção da Jornada.

"Nós estamos unidos na rua porque os nossos sonhos são generosos, porque o que a gente tem no coração e nas mentes é a convicção de mudar o país.”

Em sua fala no início do ato, o integrante do MST Gerson de Souza fez referência ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que fica ao lado de onde se concentrava a marcha, na Praça da Sé, para denunciar a criminalização dos movimentos sociais.

“Hoje nós estamos vendo a criminalização de vários militantes, não só do MST, mas de vários movimentos sociais, que estão proibidos de fazer luta”.

Gerson apontou ainda que a democratização do Estado só será possível a partir das manifestações e lutas políticas, como a que acontecia ali.

Educação, genocídio e cotas

jornada2Em diversas falas no carro de som, que acompanhava a marcha, os jovens manifestantes abordaram a necessidade de se aumentar a verba pública para educação. Eles reforçaram a posição favorável aos 100% dos royalties do pré-sal e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação.

No cruzamento da avenida São João com o largo do Paissandú, os jovens realizaram uma intervenção artística para chamar a atenção para o genocídio da população negra no estado. Enquanto alguns carregavam placas pretas e cruzes simbolizando caixões, a militante do Levante Popular da Juventude, Beatriz Lourenço, leu um manifesto.

“O Mapa da Violência de 2012 diz que enquanto o homicídio de jovens brancos caiu 25%, o de jovens negros aumentou 30%. E a cada dez jovens assassinados no país, sete são negros.”

Beatriz ainda comparou o extermínio da juventude negra e pobre com o número de assassinatos decorrentes da ditadura militar. Na sequência, os jovens puxaram palavras de ordem e músicas que denunciavam o racismo e a violência com que a Polícia Militar trata a juventude.

No encerramento do ato, já na praça da República, onde fica a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, mais um tema foi tratado pelos manifestantes, o sistema de cotas proposto pelo governo de Alckmin para as universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp), o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público (Pimesp). As organizações juvenis rechaçaram a proposta do Pimesp, por considerá-la “elitista”.

Os jovens criticam a medida, afirmando que ela trata o aluno cotista como “estudante de segunda classe”, por obrigar que os cotistas passem dois anos em um curso de reforço para ingressar nas universidades públicas paulistas, isso se o desempenho do aluno for considerado satisfatório. A situação do negro no ensino superior é tratada pelo membro do Levante, Édison Rocha Júnior, durante sua fala no carro de som.

“É justo ser 50% da população brasileira e ser só 2% com diploma na mão?”

Secretaria de Educação

No encerramento do ato, enquanto uma parte dos jovens assistia a apresentações de rap, delegações de representantes dos movimentos da juventude se reuniram com a Prefeitura de São Paulo e com a Secretaria de Educação do governo do Estado de São Paulo.

Na prefeitura, os jovens foram recebidos pelo secretário de governo, Antônio Donato, pelo coordenador de juventude, Gabriel Medida, e pelo chefe de gabinete do prefeito Fernando Haddad (PT), Gustavo Vidigal.

Os movimentos cobraram medidas da prefeitura para enfrentar o extermínio da juventude da periferia, fazendo um contraponto à ação da Política Militar do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Além disso, pautaram a implementação do passe livre no transporte público para os estudantes que ingressaram na universidade pelo Programa Universidade para Todos (Prouni).

Na audiência com o secretário estadual de Educação, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, as organizações apresentaram críticas ao Pimesp, cobraram a ampliação de recursos para o financiamento da educação e a manutenção das escolas do campo. Além de participação no Conselho Estadual de Educação.

Na avaliação da coordenadora estadual do MST Jade Percassi, “essa reunião representa um avanço no sentido de se poder apresentar essas reivindicações de forma coletiva, reflexo da unificação das pautas das diferentes organizações que articularam a jornada”.

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De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

27/03/13

(Fotos: Divulgação - Jornada Nacional de Lutas da Juventude)