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Inflação deve ser contida com aumento da produção, afirma diretor da Conab

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Silvio Porto defende estímulo e subsídios à produção de alimentos pela agricultura familiar. Diretor da Conab diz que inflação “não tem nenhuma relação com a necessidade de aumento de juros”

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produtores(6’15” / 1.43 Mb) - A contenção da inflação dos alimentos se tornou tema de muitos debates nos últimos meses. Diversos especialistas e economistas alegam que, para diminuir a inflação, é necessário um aumento nos juros, medida que quando tomada restringe a capacidade de consumo da população.

Para o diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto, o controle da inflação dos alimentos, assim como a diminuição dos preços e a garantia de independência alimentar no Brasil só vão ocorrer se existirem medidas de estímulo e subsídios à produção de alimentos pela agricultura familiar.

Entre outras análises, ele destaca que a inflação “é uma questão muito mais conjuntural, e não tem nenhuma relação com a necessidade de aumento de juros”.

Radioagência NP: Silvio, quais os motivos da alta do preço dos alimentos?

Silvio Porto: Há que considerar que a forma de medir a inflação tem um critério. É uma lista de produtos bastante restrita, e nesse caso específico, principalmente o arroz, feijão e farinha, tem tido um impacto expressivo por se manter a preços altos. Principalmente a farinha, por conta da quebra de safra no nordeste em função da prolongada estiagem, que vem desde 2011 um déficit hídrico que tem gerado perda na produção.

O arroz teve uma elevação expressiva no ano passado, e o feijão teve uma quebra muito significativa na safra de verão de 2012, e não se recompôs em termos de gerar uma grande oferta para uma recaída de preços. Esses três elementos juntos, com a questão conjuntural do tomate, cebola e batata fez com que 2012 tivesse uma contaminação dessa questão da inflação de 2013 porque continuamos com esse problema neste quadrimestre.

Na verdade, é uma questão muito mais conjuntural, e não tem nenhuma relação com a necessidade de aumento de juros, porque estamos falando de uma inflação de alimentos, não é uma inflação de demanda por bens duráveis que poderiam, na lógica convencional de usar instrumentos da política monetária que tem sido muito utilizados, como o aumento de juros, não há justificativa nesse sentido. A inflação é um tema preocupante, mas certamente com uma afirmação política no sentido de promoção da produção e maior disponibilidade e oferta se resolve essa questão.

Radioagência NP: Quais medidas a Conab toma para ajudar na queda dos preços dos alimentos?

SP: Primeiro, em relação ao arroz, uma intervenção mais efetiva a partir do estoque público que nós temos e já defendemos que devíamos ter entrado no mercado vendendo parte do nosso estoque público em nível de atacado, para baixar o preço para o consumidor, e pensar em usar os instrumentos de política pública, em especial dos preços mínimos, que poderia ser um instrumento que deveria ser experimentado para produtos perecíveis, como tomate, cebola e batata, que tem uma importância muito significativa na composição do consumo diário das famílias, e nós poderíamos fazer disso um sistema de tentar regular um pouco mais esse ciclo de ofertas muito demasiadas e reduções mais drásticas, seja por questões climáticas, seja por quedas de preços que promovem um desestímulo à produção. A perspectiva de um processo de segurança de preços aos produtores certamente poderia ser uma forma que nós poderíamos intervir usando os instrumentos que temos hoje.

Radioagência NP: O Brasil vem importando grandes quantidades de diversos alimentos básicos, como trigo, arroz e feijão. Qual o impacto desta dependência para a soberania alimentar brasileira?

SP: Há que relativizar essa dependência da importação.  O trigo de fato é um problema, por conta da falta de uma política de estímulo à produção, e também porque nós poderíamos utilizar, no caso da farinha de trigo, algo que tentamos por um projeto de lei, mas que fomos derrotados no Congresso em 2005 é a possibilidade de fazer misturas de outros amidos, como milho ou mandioca, como forma de substituir a importação.

Hoje tranquilamente poderíamos, sem nenhum tipo de prejuízo do ponto de vista da fabricação de pães, por exemplo, incluir até 20% de outros amidos, e mandioca seria um produto interessante por ser comumente consumido no Brasil, então poderíamos retomar a produção de mandioca pelos assentamentos da Reforma Agrária, pela agricultura familiar e camponesa, fazendo disso um processo de substituição da importação.

De São Paulo, para a Radioagência NP, José Coutinho Junior.

03/07/13

Foto: Folha do Espírito Santo