Skip to Content

América Latina 2013: SOS crianças

  • warning: Parameter 2 to genericplayers_swftools_flashvars() expected to be a reference, value given in /data_cpro6462/ranp/public_html/includes/module.inc on line 476.
  • strict warning: Non-static method view::load() should not be called statically in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/views.module on line 906.
  • strict warning: Declaration of views_handler_argument::init() should be compatible with views_handler::init(&$view, $options) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/handlers/views_handler_argument.inc on line 744.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_validate() should be compatible with views_plugin::options_validate(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_submit() should be compatible with views_plugin::options_submit(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.

Existem no mundo, segundo a OIT, 168 milhões de crianças trabalhando. Destas, 120 milhões trabalham em tempo integral e quase 70 milhões estão expostas a trabalhos considerados perigosos

Está faltando algum conteúdo do Flash que deveria aparecer aqui. Talvez seu navegador não possa exibi-lo. Instale a última versão do Flash em seu computador, ou atualize sua versão.

Roberta Traspadini*

(8’03” / 1.84 Kb) - O ano de 2013 foi mais um ano comemorativo para o grande capital transnacional atuante na América Latina, em contrapartida ao cenário de acirramento da precarização e intensificação da superexploração da força de trabalho na região.

Com um crescimento econômico de 2,6% em 2013, uma taxa de desemprego de 6,9% e um investimento direto estrangeiro da ordem de US$ 173 bilhões de dólares,dados da CEPAL, a América Latina amarga trágicos efeitos em sua histórica dependência enquanto processo inerente ao desenvolvimento desigual capitalista.

Os 20% mais pobres se apropriam somente de 5% da riqueza produzida, enquanto os 20% mais ricos ficam com 47% de toda a riqueza produzida no continente. Lembrando que parte substantiva dessa riqueza é transferida para as economias centrais como remessa líquida de lucro, transferência de valor, através das operações das empresas transnacionais.

América Latina possui uma população aproximada de 610 milhões de pessoas, segundo a CEPAL. Na distribuição por grupos de idade: 27,9% (0-14 anos); 34,1% (15-34 anos); 19,2% (35-49 anos): 11,9% (50-64 anos) e 6,9% (mais de 65 anos).

Destas, 164 milhões se encontram em situação de pobreza e 68 milhões em pobreza extrema. Entendida a pobreza como um processo histórico-social, resultado do modelo de desenvolvimento capitalista consolidado no continente nos últimos seis séculos, cujo pressuposto é o pagamento de salários abaixo da condição de sobrevivência cotidiana.

E quanto às crianças e adolescentes da América latina?

São quase 180 milhões de pessoas na faixa etária até 14 anos. 70 milhões delas vivem na pobreza e quase 30 milhões na pobreza intensa. Esta é a concreta realidade do mundo do trabalho na próxima década. Expropriados, oprimidos e miseráveis de hoje, para uma futura utilização ainda mais intensa na superexploração da força de trabalho.

A condição de pobreza e miséria é proporcional, no mundo do trabalho, àintensificação da superexploração. E esta é uma das facetas mais perversas do capitalismo, em particular na atual fase histórica de suas crises estruturais.

Pode haver escolha entre miséria, fome e um salário de sobrevivência indigno? Esta seleção entre um cenário ruim versus um menos pior, tira a centralidade da necessidade de consolidação de um  outro cenário diferente para a classe trabalhadora.

Existem no mundo, segundo a OIT, 168 milhões de crianças trabalhando. Destas, 120 milhões trabalham em tempo integral e quase 70 milhões estão expostas a trabalhos considerados perigosos. Estima-se que na América Latina aproximadamente 20 milhões de crianças estejam nesta situação.

Além disto, 132 milhões de crianças nascem no mundo, inseridas no universo da desigualdade social e 53 milhões sequer são registradas.

É central entender que enquanto lutamos para que nosso cotidiano seja o da garantia de direitos numa sociedade que não os têm na prática como pilares uma vez que é estruturalmente desigual, o capital investe na condição de intensificação da miséria na infância.

Enquanto nós lutamos contra a superexploração da força de trabalho que parte expressiva do nosso povo vive, o capital intensifica sua condição de morte da infância para ganhos abusivos no futuro.

Ainda sobre a realidade da infância na América Latina, 72,6% das crianças em situação de pobreza e miséria vive um tipo de privação no universo dos direitos, ou seja, não têm acesso à escola, à saúde ou aos demais direitos sociais. Privação que pode virar, no mínimo,uma assistência social com baixos gastos públicos pelos governos da ordem burguesa e, no máximo, a intensificação da superexploração no mercado de trabalho no presente-futuro.

A estrada do capital é a estrada do sangue do trabalho latino. Esta estradase tem uma moral é  a do lucro sobre a vida. A ordem neoliberal trouxe para a América Latinaa histórica recondução da dependência, entendida como vínculos de subordinação entre nossas economias e as economias centrais,  seja no âmbito externo do mercado internacional, seja na situação interna das economias do continente.

É nessa dinâmica geral que deve ser entendido mais do que o trabalho infantil, o sentido da vida na ordem imperante do capital. Diferenças de cor, de sexo, de idade são todas demarcadas no cenário dos planos superiores de maiores lucros, em detrimento à inferiorização na condição de vida e do ser dos trabalhadores latinos.

As explorações da infância não são um problema moral na era do capital. São inerentes ao cenário da condição desumana gerado pelo mesmo sistema. Meninas e meninos condicionados à ordem da morte sobre a vida são sujeitados à situação mais severa da condição histórica da humanidade: escravos do capital, servos do trabalho, mercadorias a serviço do dinheiro. E isto é uma imposição. Uma forma de ser condicionadora de outros universos possíveis.

A infância e o capital

Portanto, há que se responder a outras perguntas: o que é a infância? Qual o sentido de se ser criança? Quem educa, quem cria, quem auxilia a criança nos seus processos de desenvolvimento na bárbara era do capital?

Para o capital, a infância foi, é e será o tempo histórico para o adestramento para o trabalho. Espaço de educação para a concorrência, para o sucesso monetário, para o êxito individual, e, sobretudo, para a conformação ideológica incontestável deste processo como único e inquestionável.

Algumas crianças sendo educadas para serem trabalhadoras superexploradas no futuro, outras vivendo a superexploração na infância como processo natural e um grupo seleto de crianças bem aventuradas vivendo a orgia de serem dominantes na era do capital.

A infância, enquanto estágio ou manutenção do processo de desenvolvimento capitalista é a fase da produção material e ideológica da suposta oportunidade burguesa. Portanto, não é infância. É venda de uma ideia de inclusão na infância.

Assim, a partir do que vivem as crianças e adolescentes na atualidade de nossa América Latina, entendemos que a dependência e o desenvolvimento seguem como a principal tônica do debate sobre os projetos que temos em detrimento ao que precisamos construir.

É possível sonhar com algo que se deseja para o futuro, contemplando a realidade. Mas é imprescindível sonhar com os pés no chão, materializando a organização consciente da luta de classes.

Resolver o problema da exploração e opressão dos trabalhadores na sociedade capitalista é sinônimo de superar a estrutura do desenvolvimento desigual inerente à mesma, tanto no âmbito mundial quanto no continental. Um problema que exige muitas contestações à ordem somadas à conformação de um projeto de classe que seja antagônico ao do capital eaglutinador da esquerda latina-mundial. Um projeto de classe capaz de conduzir suas ações contra o verdadeiro inimigo,o capital em todas as suas facetas, em um sentido real de produção docontra-poder à ordem dominante.

Somente um projeto de poder popular é capaz de libertar as crianças da classe trabalhadora da condição miserável do histórico sistema de exploração e opressão que recai sobre ela e seus pares da classe.

*Professora da ENFF e da UFVJM, integrante da Consulta Popular

14/01/14