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Mais de 4 mil confirmam presença em rolezinho contra racismo dos shoppings

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Ato político ocorre no Shopping JK Iguatemi, que conseguiu barrar na Justiça eventos dessa natureza. Movimento negro vê como um “apartheid” a decisão de impedir a presença de negros e moradores de periferia.

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(1’18” / 306 Kb) – O movimento negro realiza neste sábado (18), em São Paulo, uma manifestação contra o racismo e a repressão dos shopping centers ao movimento conhecido como “rolezinho”. O alvo é o Shopping JK Iguatemi, que conseguiu barrar na Justiça eventos dessa natureza, sob a ameaça de multa de R$ 10 mil para cada participante.

A manifestação, de acordo com os movimentos, deve denunciar o caráter racista de ações promovidas pelos shoppings de São Paulo. A intolerância é vista como um “apartheid”, por tentar impedir na Justiça a presença de jovens moradores de periferia, na sua ampla maioria negros.

Os chamados “rolezinhos” são encontros convocados pela internet que geralmente ocorrem nos estacionamentos dos shoppings, onde os jovens promovem bailes funks instantâneos.

No último sábado (11), dois rolezinhos foram fortemente reprimidos em São Paulo. No Shopping Itaquera, zona leste da capital, a polícia militar utilizou bombas de gás e balas de borracha. Na zona sul, no Shopping Campo Limpo, jovens foram agredidos com cassetetes por policiais.

Mais de 4 mil pessoas confirmaram presença no ato pelas redes sociais. A concentração dos manifestantes será às 12 horas, no Parque do Povo, na Vila Olímpia, zona Sul de São Paulo.

De São Paulo, da Radioagência NP, Leonardo Ferreira.

17/01/14

Foto: Reprodução

 

Leia o manifesto divulgado pelo movimento negro:

APOIO À JUVENTUDE NEGRA, POBRE E DAS PERIFERIAS DA CIDADE DE SÃO PAULO!

PELO DIREITO À CIRCULAÇÃO E A EXPRESSÃO DE SUA ARTE E CULTURA.

"É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo o cidadão brasileiro, independente da etnia ou cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais." (Art. 2o. do Estatuto da Igualdade Racial)

O Racismo brasileiro já foi amplamente denunciado por movimentos e intelectuais. Em dezembro de 2013 a ONU, através de uma comissão especial em visita ao Brasil, mais uma vez declarou: “Os afro-brasileiros não serão integralmente considerados cidadãos plenos sem uma justa distribuição do poder econômico, político e cultural”, reforçando a ideia do racismo como estruturante das desigualdades em nosso país.

A barbárie social expõe sua face racista em especial através dos números dos homicídios, em especial aquele promovido pelas forças de repressão do Estado. A realidade das prisões brasileiras, agora simbolizada pela revelação dos acontecimentos no presídio de Pedrinhas no Maranhão ou a carnificina promovida por policiais em Campinas reforça o que sempre denunciamos: o caráter racista do Estado e de seus dirigentes.

Esse racismo se traveste cotidianamente a medida da necessidade do opressor. Nesse momento vivemos em São Paulo e em outros grandes centros mais uma das faces do racismo estrutural brasileiro: A reação dos Shoppings, da Polícia e  da Justiça em relação a presença de “jovens funkeiros” nestes estabelecimentos.

Com a liminar que garantiu o direito ao JK Iguatemi e a outros diversos Shoppings de impedir a entrada de jovens negros, pobres e funkeiros, percebe-se a reafirmação da missão da policia, da justiça e do Estado: a proteção à iniciativa privada e aos seus valores civilizatórios tendo, como sempre, um alvo bem definido: negros e pobres. Trata-se, sobretudo de um precedente legal perigoso a medida que promove e formaliza uma prática análoga ao aparthaid.

Cruzar os braços diante de fatos tão graves significaria reforçar a naturalização da violência contra negros e pobres no Brasil. Afinal, os barrados nas portas dos shoppings são os mesmos proibidos de frequentar universidades; são os mesmos que perfazem maioria entre analfabetos, miseráveis, desprovidos de serviços básicos como saúde, educação, moradia; são os mesmos ridicularizados e estigmatizados pela grande mídia e, sobretudo, são os mesmos que cotidianamente são parados, esculachados, presos, torturados e mortos pela polícia nas periferias do Brasil.

Os rolezinhos em shoppings que se espalham por todo país revela uma das faces da crise urbana, carente de espaços de convivência, acesso a arte, cultura e lazer, condições entregues pelo Estado aos cuidados e usufruto da iniciativa privada de cidades como São Paulo, estruturadas com base na concentração do solo e na especulação imobiliária, que provocam a exclusão, desterritorialização e expulsão da população negra e periférica, para regiões carentes de equipamentos e serviços sociais e culturais. Os Governos tem fundamental responsabilidade e devem responder a essa demanda de maneira imediata.

Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba e o RAP, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética. E se está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxuria e ostentação que o Funk, declaramos: somos todos Funkeiros!

Exigimos:

- Anulação imediata das liminares que garantem o direito de segregação aos Shoppings;

- Pedidos públicos de desculpas pela ação racista por parte dos Shoppings e dos responsáveis pelas liminares no âmbito da Justiça;

- Imediato debate público com governos de todas as esferas sobre a pauta da ampliação dos espaços e condições de acesso a arte, cultura e lazer que possam contribuir para a inclusão, a emancipação e garantia de direitos das juventudes, principalmente da juventude negra, pobre e de periferia.

Assinam:

Círculo Palmarino

Uneafro Brasil

Conen

Núcleo de Consciência Negra na USP

Instituto Luiz Gama

Quilombo Raça e Classe

Coletivo Negro USP

Soweto

Levante Popular da Juventude

Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular

Comitê da Cidadania Ativa

Anel

Dce-Usp

Aps-Juventude

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