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Construindo Novas Relações de Gênero há 30 anos

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O programa de hoje da série especial sobre o VI Congresso do MST, realizado em Brasília de 10 a 14 de fevereiro, debate as relações de gênero no interior do movimento. O comentário é da militante Kelli Mafort.

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mulheres-mst-foto-leonardo-melgarejoPor Kelli Mafort

(3’55” / 920 Kb) -. Desde a criação do MST, sempre esteve presente o desafio da participação e envolvimento de toda a família no processo de luta pela terra: homens, mulheres, jovens, idosos e crianças são todos e todas protagonistas de sua própria historia.

A participação das mulheres possibilitou a formação de coletivos de auto – organização e discussão sobre sua situação de opressão de classe e de gênero. O conjunto do movimento foi provocado a se envolver e isso criou as condições para o debate de como construir novas relações de gênero.

A construção do setor de Gênero e a participação das mulheres no MST

No I Congresso Nacional do MST, realizado em 1985, foram aprovadas dentre as normas gerais a organização de comissões de mulheres dentro do movimento para discutir problemas específicos, o estimulo à participação em todos os níveis de atuação, instâncias de poder e representatividade, assim como combater toda a forma de discriminação das mulheres e fortalecer a luta contra o machismo.

Por meio da organização destas comissões e coletivos de mulheres do/no MST, as lideranças femininas começaram a estudar e debater o conceito de gênero a partir de meados dos anos 1990.

A necessidade de envolver o todo da organização neste debate culmina na criação do setor de Gênero no Encontro Nacional do MST em 2000. Este teria a tarefa de estimular o debate de gênero nas instâncias e espaços de formação, de produzir materiais, propor atividades, ações e lutas que contribuíssem para a construção de condições objetivas para participação igualitária de homens e mulheres, fortalecendo o próprio MST.

Várias linhas políticas foram tiradas a partir dessa definição, como por exemplo a participação de 50% de mulheres em todos os espaços do Movimento nas instâncias, nos processos produtivos, de formação e educação, nas mobilizações etc; o debate da ciranda infantil; o debate da inclusão do nome da mulher nos documentos de concessão de posse e uso da terra de forma conjunta.

Mesmo que várias dessas metas sejam ainda um desafio permanente, a construção do setor de gênero possibilitou um novo significado da luta pela terra, onde todos e todas sentem-se sujeitos participantes de um processo de mudança.

A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadorias

Além da nossa luta cotidiana, temos dois momentos no ano em que organizamos ações de enfrentamento ao capital, por Reforma Agrária e contra toda forma de violência contra as mulheres: é no 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres – e no dia 25 de novembro – Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Mulher.

Nesse ano não será diferente. É por isso que já estamos cantando nas nossas assembleias e ecoando esse grito no nosso VI Congresso: Pode ter Copa e eleição, as mulheres em luta seguirão

*Integrante do Setor de Gênero do MST

Foto: Leonardo Melgarejo

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