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Memória e comemoração – homens e mulheres em pé de igualdade e afeto

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(531'' / 1,26Mb) - Datas comemorativas são para isso –  para evocarmos uma lembrança, fixarmos um marco, resgatarmos histórias e para fazer um alerta - repetir o que é bom, e afastar o que é mau.

Estamos neste final de ano entre duas datas importantes, ambas escolhidas para marcar a luta contínua e necessária do combate à violência contra a mulher. Dados informam que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, o que coloca nosso país em 12º lugar no ranking mundial de homicídios de mulheres. A maioria das vítimas é morta por parentes, maridos, namorados, ex-companheiros ou homens que foram rejeitados por elas. E esse quadro se repete, lamentavelmente, nos demais países da América latina, das Américas, Europa e do mundo. A violência contra a mulher é algo dolorido e surdo, quase mudo, porque, em geral, ocorre dentro do lar, do casamento, do espaço que deveria ser de dignidade e segurança.

Dia 25 de novembro é o dia Internacional da não Violência contra a Mulher. E o dia 6 de dezembro foi escolhido como o dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Em 6 de dezembro de 1989, em Montreal, no Canadá, um homem de 25 anos assassinou 14 mulheres estudantes de engenharia. Por que ele fez isso? Ele esclareceu com um bilhete que deixou, e dizia assim: “as mulheres são responsáveis pelos fracassos dos homens; toda mulher que cruza o caminho de um homem bem sucedido deve ser castigada; e as mulheres bem sucedidas não aceitam ser protegidas por um homem”.

Para nunca ser esquecido esse gesto transloucado de um homem infeliz, institui-se o dia 6 de dezembro como data para a mobilização dos homens na luta de combate à violência contra a mulher, que, no final das contas, é algo nefasto que destrói a todos, homens, mulheres e seus filhos.

E, como já disse o psiquiatra Luiz Bonino, a violência de gênero não é um problema das mulheres, mas sim, um problema para as mulheres. E, embora as mulheres lutem e continuem a lutar contra ela, a violência de gênero  é um problema dos homens, os que agridem e matam, e a eles, portanto, deve interessar a solução desse mal.  

Viver em sociedade nos dá um ônus de viver e sofrer formas várias de violência institucional, e essa atinge a todos, homens e mulheres, indistintamente. Bala perdida, fila em hospital, escola deficitária, transporte precário, falta de moradia, a não divisão justa da terra são formas de violência que a todos atingem.

Porém, a violência contra a mulher tem um jeito próprio de ser e de acontecer e começa já no aprendizado do menino. O aprendizado da violência é recebido pelos homens na sua educação, verticalmente, de cima para baixo, de pai para filho, dos que já sabem “ser homens” para os que estão a se transformar em um. Rituais violentos. Nada de lágrimas ou emoções para os meninos.  E tudo segue numa espiral, um círculo vicioso, que se auto reproduz.  É preciso cortar essa trajetória. Fazer e educar homens e mulheres com sensibilidade e com afeto.  E se a luta das mulheres é importante e não vai se esvanecer, é preciso trazer para ela os homens. E estes não devem apenas estar junto das mulheres,  como porta vozes da luta delas ou como amigos da causa. Os homens precisam se reconhecer gestores e autores da violência para, então, buscarem a mudança desse paradigma e afastarem de si esse papel que é quase social.

 É um processo bastante difícil para o homem face ao seu aprendizado tão antigo de ser o senhor, o dono, o cuidador, o responsável. Construir um novo homem, de dentro para fora, pode até ser algo doloroso, mas é imprescindível e necessário para que homens e mulheres alcancem a desejada igualdade, a dignidade e seu papel de cidadão. Leis podem aparecer no papel e ter seu grande significado e eficácia, mas é na alma de cada homem e mulher que a transformação há que se dar. Aos homens cabem maior reconhecimento e apropriação de seu papel na realidade da violência de gênero. Às mulheres, mães de futuros homens, cabem dar a esses filhos caminhos de sensibilidade e senso de igualdade. E, que nesses momentos de comemoração, homens e mulheres reflitam, cada qual, sobre seu papel na luta contra violência de gênero e façam cada vez mais presente em si um sincero desejo de mudança.

Dora Martins é Integrante da Associação Juízes para a Democracia.

01/12/10