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Inimigos hostis

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(6'04'' / 1,39 Mb) - O ornitólogo e naturalista Jared Dimond é um dos maiores escritores da atualidade. Em seu livro intitulado "Armas, Germes e Aço", Dimond relata detalhadamente como se deu a colonização dos continentes, com uma visão do que chamaria de “pragmatismo ambiental”, e como se deu a supremacia dos países europeus, principalmente os situados na península ibérica, sobre populações em todos os continentes. Bem como relata as condicionantes ambientais que deram as condições para o desenvolvimento do que conhecemos como "crescente fértil".

De uma forma direta o objetiva o autor descreve quais foram as condicionantes que levaram ao sucesso colonial do modelo de intervenção e expansão em todo o mundo. O título deixa claro quais foram as forças que atuaram e seguem atuando em alguns casos, para a supremacia. As armas, os germes e o aço, foram as principais forças motrizes da colonização. O fato de um pequeno grupo de espanhóis liderados por Hérnan Cortez, subjugar os mesoamericanos Astecas, sobre liderança do imperador Moctezuma II, em 1521 na capital Tenochtitlán, deve-se em grande parte a supremacia de equipamento bélico espanhol - incluindo cavalos.

A força das espadas forjadas em aço foi o primeiro golpe. Mas antes das epidemias promovidas por microorganismos patógenos europeus, a crença, a religião, o fanatismo na espera de deuses, fez com que o imperador asteca Moctezuma, e toda a elite política e "espiritual/cultural", recebe-se o espanhol como um Deus.

Em sua obra intitulada Colapso, Dimon vai mais adiante e, aborda como  as sociedade podem entrar em declínio devido às suas escolhas ligadas a aspectos políticos, culturais e ambientais.

Mas quais condicionantes podem levar a sociedades ao colapso?

Uma das variáveis seria aquela já referida no caso dos Astecas, uma estrutura estatal altamente burocratizada, complexa na sua distribuição espacial e logística, não laica, regida por um conjunto de crenças e privilégios, com uma limitada elite dominante que necessitava recursos naturais a uma taxa considerada insustentável.

Fatores associados aos regimes de exploração da terra, as tecnologia disponível e, o grau de dependência da agricultura de excedentes, para abastecer uma sociedade urbana bem estruturada e demograficamente concentrada, são variáveis importantes no colapso.

Uma serie acumulada de décadas com longos períodos de anos em déficit hídrico, poucas chuvas para as colheitas, associado à exaustão do solo pelo desmatamento, sobre-uso e erosão, acentuaram os efeitos deletérios sobre o meio ambiente, contribuindo com os colapsos sociais de grupos complexos distintos, em todos os continentes.

Um fator importante, quando observamos este mundo globalitarizado, é o que chamamos de dependência de parceiros comerciais. A dependência por determinados recursos obtidos em territórios alheios, fez com que a organização do comercio se desenvolve como conhecemos hoje, se consolida no capital.

Promovendo campanhas de conquista e colonização, no lastro de conflitos armados.

São basicamente cinco pontos fundantes para gênese do colapso social: a exaustão dos recursos naturais pelo seu sobre-uso; mudanças cíclicas climáticas; fatores políticos, religiosos e culturais, associados à complexidade social; parceiros comerciais para obtenção de recursos em territórios alheios.

Este último ponto - a dependência de recursos naturais em territórios alheios - é a conexão para o quinto e último aspecto que leva sociedades ao colapso. São os inimigos hostis, ou vizinhos hostis, nomenclatura que pode variar dependendo da distribuição dos recursos e da população no território. Quanto mais áreas de sobreposição de territórios, maior densidade populacional, menor disponibilidade de recursos, menor o acesso aos recursos, mais conflitos podem ocorrer, e mais violentos se tornarem, dependendo da complexidade tecnológica de seus inimigos.

Mas quando as fronteiras da capacidade tecnológicas e da geologia não são o limite? Quando a exploração dos recursos naturais não tem um limite? Quando o excedente já não é suficiente, ele é necessário?

Hoje os inimigos hostis estão atuando em escala global. São as multinacionais ligadas a exploração de combustíveis fósseis, a indústria automotiva, toda a química petrodependente, as corporações de mineração, geração de energia e agronegócio. Todas associadas num sistema financeiro e midiático. Construindo impérios artificiais, com cadeia de produção e consumo altamente energívoras, burocratizadas, privilegiada e limitas.

Esta em tempo de reverter esta situação. Sociedades antigas não tiveram a possibilidade de observar o passado, a ruína e declínio de outras sociedades, civilizações, "humanidades", distribuídas em distintos continentes, isoladas geograficamente e culturalmente. Sem conhecimento da história.

O que nos distingue como sociedade moderna, é exatamente esta possibilidade de conhecer o passado, para planejar o futuro.

Agora resta saber se estamos fazendo a escolha certa. Somente a história poderá contar.

Ecólogo e coordenador do Instituto Biofilia.

13/12/10