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Mídia protege os golpistas de Honduras

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(3'35'' / 841 Kb) - Recentemente, sem que a mídia nativa fizesse qualquer alarde, o parlamento de Honduras aprovou mudanças na Constituição que permitem a realização de referendo sobre a reeleição presidencial. A alteração foi exatamente o motivo alegado pelos golpistas para derrubar o presidente Manuel Zelaya, em junho de 2009. Sob o pretexto de que ele pretendia se perpetuar no poder, empresários e generais, com apoio direto dos Estados Unidos (EUA), patrocinaram o golpe.

Agora, os próprios golpistas promovem a “reforma constitucional”. O projeto recebeu 103 votos a favor e 25 contra, num parlamento totalmente tutelado. “Antes era pecado falar que o povo deveria decidir e hoje chegamos ao entendimento de que o povo é superior a nós, os deputados”, argumentou, na maior caradura, Juan Hernándes, o presidente d o mesmo Congresso Nacional que há um ano e meio chancelou a violenta derrubada de Zelaya.

Dez jornalistas assassinados

Na época do golpe, a mídia colonizada deu respaldo ao ato arbitrário. “Calunistas” brasileiros, como Alexandre Garcia, da TV Globo, difundiram que não houve golpe, mas sim a defesa da Constituição contra as iniciativas “autoritárias” de Zelaya. Nem os EUA embarcaram nesta conversa, conforme provam memorandos da embaixada vazados pelo Wikileaks. Agora, a mesma imprensa faz total silêncio sobre o “golpe” dos golpistas.” Honduras não é mais manchete na mídia.

Enquanto isso, o presidente Porfírio Lobo, eleito num pleito que não é reconhecido pela maioria das nações, incluindo o Brasil, comete as maiores atrocidades. Em dezembro passado, mais um jornalista foi barbaramente assassinado. Henry Souza trabalhava na Cablevisión Del Atlantico e levou vários tiros ao sair de sua casa. Ele dava voz em seus programas de TV às comunidades camponesas da região e era detestado pelos latifundiários.

Onda de violência não é notícia

Segundo o jornal La Tribuna, Souza foi o décimo jornalista morto no ano passado. Além de censurar e perseguir jornalistas, o governo de Porfírio Lobo é cúmplice da ação de grupos paramilitares. Segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos, somente nos primeiros seis meses de 2010 houve uma média de 16 mortes violentas por dia..

No início de janeiro, um grupo paramilitar investiu contra um ônibus e matou oito pessoas em Olancho, uma comunidade rural. Quatro mulheres e quatro crianças, incluindo um bebê de 18 meses, foram assassinadas. Segundo a Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), a chacina “teve semelhança com os diversos atentados contra opositores do regime ditatorial, desde o golpe militar de 28 de junho de 2009”. Para a mídia brasileira, que apoiou o golpe, esta onda de violência não é notícia!

Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

18/01/11