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Crianças em disputa: o ataque do capital (II/II)

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(4'05'' / 958 Kb) - Como falei no artigo anterior, as gigantes empresas do cultivo da cana estão assumindo a educação formal na região centro-sul do país, que concentra praticamente 90% de toda produção canavieira do Brasil.

Cem municípios da região centro sul, espalhados por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, encubam o processo de educação formal denominado projeto Agora, que entre atividades, fornece um “Kit pedagógico para os alunos”.

Este projeto dirigido para a educação formal de educados da 7ª. e 8ª. series, com idade entre 12 a 15 , é uma parceria público-privada entre instituições governamentais, alguns sindicatos e o grande capital. Itaú, Monsanto, Basf, Dedine, CEISI, Amyris, BP, FMC e SEW Eurodrive, são as empresas centrais do processo.

E para finalizar levanto a última questão: quais são as grandes questões colocadas a partir do kit?

Primeiro destaco a questão da terra:  que segundo o documento, a produção de cana abarca mais ou menos oito milhões de hectares de terra no Brasil, o que significa somente 2,5% das terras agricultáveis.

Esqueceram de dizer que nos estados em que está a maior concentração, a porcentagem de terras é gigantesca e nos demais, resta saber quem são os donos das sementes, das propriedades, da compra direto da produção dos pequenos produtores rurais.

A questão do trabalho e da produtividade: destaca a importância das máquinas colheitadeiras. Mostra não só o aumento da produtividade do trabalho como a possibilidade de ampliação dos números de participação do setor no PIB nacional. Mostra que a produtividade homem/dia saiu de 6 a 10 toneladas na colheita manual, para 500 a 800 toneladas com a colheita mecânica.

Esqueceram de relatar a real condição vivida dos migrantes da cana no Brasil, em busca de uma oportunidade. Aqui temos dois problemas em um. A continuidade do trabalho escravo, e o desemprego estrutural fruto da mecanização. Assim, o monocultivo se apresenta, no século XXI, como um péssimo exemplo de desenvolvimento e inclusão social.

A questão da “oportunidade e do desenvolvimento”: neste item trabalha a noção de desenvolvimento como sinônimo de mecanização do campo. A cana é, para eles, o principal motor econômico, político e cultural colocado em movimento nas relações sociais da região. Através deste cultivo se permite um modelo de desenvolvimento para as cidades com projetos sociais, educativos, culturais e com o progresso da rede de serviços que gera uma economia com potencial de crescimento gigantesco.

Esqueceram de dizer que outro mundo é possível para além do cultivo da cana nestas regiões, a partir da revisão concreta: da intervenção de Estad; da lógica de produção; do conceito de vida.

O que está colocado no projeto de educação infantil e básica da vale e do setor canavieiro é uma gigantesca máquina do terror em que a produção material da vida aparece invertida e os olhos já não mais devem conseguir visualizar as contradições cotidianas.

E são várias as questões abertas no enfrentamento direto com o grande capital. Entre elas reforçamos: a questão da luta de classes na atualidade; a questão do Estado e da sociedade; a questão agrária; a questão do trabalho; a questão do desenvolvimento; a questão ambiental; a questão da concepção de vida.

Ou denunciamos estas ilegalidades e anunciamos nosso projeto de classe, ou o futuro que já começou faz alguns séculos no nosso continente, continuará distante de nos pertencer como classe.

Economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

09/03/11

Crianças em disputa: o ataque do capital (II/I)