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Brasil: que País é esse (II)

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(5'24'' / 1,24Mb) – Uma das características marcantes do modo de produção capitalista é a necessidade de criar mecanismos de conformação e manutenção de poder.  Entre eles está a divisão social e internacional do trabalho e a lógica de funcionamento que provoca mutações para que os órgãos vitais apareçam e se desenvolvam como não vitais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), dos 190.732.694 milhões de brasileiros, o campo é composto por 29.852.986 (13,5%) e as cidades por 160.879.708 (84,5%).

Mas a lógica de separação formal entre o campo e a cidade não é tão real assim.

Migrações forçadas pelo mundo do trabalho

A história das migrações no interior da nação e para o exterior tem relação direta com a história da concentração de terra e da superexploração dos trabalhadores do campo.

Isto evidencia a tragédia acentuada da questão da educação, saúde, transporte, habitação para estas populações. Também relata a forma periférica como o Estado brasileiro destina seus recursos à parte expressiva da população do campo e da cidade.

A fragmentação e a lógica padronizada de ação periférica para as maiorias populacionais revelam uma estratégia de poder sobre a produção em que o grande capital assume a condução do processo em qualquer espaço do território que lhe interesse, seja por coerção das forças populares e/ou consenso parlamentar.

Dos 5.2 milhões de estabelecimentos no campo – enquanto o latifúndio – com mais de 1 mil hectares, fica com 43% do território produtivo do país e soma apenas 1% do total de proprietários. A pequena propriedade corresponde a 85% dos estabelecimentos e produz numa área de 24% do total.

Este Brasil do grande capital expressa a falácia de uma história de poder que relega o popular aos limites da existência humana e que impossibilita a pertença no campo e nas periferias da cidade para parte expressiva de sua população.

Segundo o jornal Valor Econômico, as cinco principais commodities do Brasil – minério de ferro, petróleo bruto, complexo da soja, açúcar e complexo de carnes – foram responsáveis por 43% das exportações do país.

Já os pequenos produtores cumprem com a humana tarefa de produzir alimentos – 87% da mandioca, 70% do feijão e 34% do arroz – em condições severas ditadas pelo grande capital em sua aliança com o Estado.

Os grandes debates sobre as políticas públicas devem ser feitos com base na contradição capital- trabalho, em especial as consequências das privatizações da terra, da água e das sementes.

Essa lógica dominante tem feito com que parte expressiva dos produtores de alimentos se veja enroscada nessa cadeia desumana de trabalhar para sobreviver, sem tempo para pensar e atuar de forma distinta da aprisionada.

O campesinato: a classe e seu projeto

Dentro da ordem, o campesinato enquanto classe assume seu projeto de vida e luta por direitos constitucionais que permita a classe trabalhadora consolidar uma vida com dignidade para o campo e para a cidade.

Fora da ordem, o campesinato trabalha para consolidar um projeto de sociedade com base em um plano em que o camponês seja o centro de irradiação do desenvolvimento, cuja relação com a terra não é a da troca utilitária mercantil, mas de convivência recíproca e respeitosa.

Um dos grandes desafios do campesinato tem a ver com a reafirmação no território e do enraizamento dos jovens no campo.

Para isto, são necessárias políticas públicas que garantam as possibilidades de realização de uma vida digna e plena de direitos no campo. Educação, saúde, transporte, moradia, crédito e venda dos seus produtos numa outra lógica de estímulo à produção e circulação das mercadorias, tendo o humano como centro.

O campo e a cidade juntos conformam a classe trabalhadora brasileira. Parte expressiva desta classe tem sido relegada a uma política pública periférica, frente à centralidade dos gastos do Estado com o grande capital.

A história da dominação no Brasil encontra no capitalismo uma forma superior de apropriação da riqueza por poucos sujeitos e de produção de riqueza pela maioria da população que não consegue sobreviver do fruto de seu trabalho.

A ruptura só ocorrerá através da organização popular unificada entre campo-cidade, cuja irradiação de poder institua uma aliança dos que vivem do trabalho e lutam por se realizar em dita produção.

É necessário que o organismo vivo se levante e assuma com consciência seu papel vital no jogo das contradições. E reforce a necessidade de construção de uma história de poder popular que faça tremer as matérias políticas e econômicas inorgânicas. 

A Via Campesina é um organismo vivo em movimento. Aliada às lutas da cidade, agita um vulcão a entrar em erupção. Esse vulcão é a classe que vive do trabalho e que precisa romper com as amarras (in)formais que a escravizam na lógica fragmentada da dominação.

Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

15/06/11

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