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“CarrePão”? O modelo explica

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(4’51” / 1,1 Mb) - A possível entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na criação do “CarrePão” ou “Carreçucar” – fusão do Carrefour com o Pão do Açúcar –, tem sido abordado pela grande imprensa e por comentaristas econômicos como algo supreendente. Na realidade, não há surpresa nenhuma e mais do que isso, é coerente com modelo neodesenvolvimentista protagonizado por Lula/Dilma.

Nos últimos anos, sob o governo Lula, o BNDES despejou dinheiro graúdo no fortalecimento do capital privado nacional e o fez em várias áreas: Telefonia (fusão da Oi com a Brasil Telecom); Papel e celulose (fusão entre a Votorantim Celulose e Papel - VCP e a Aracruz); Alimentação (formação da Brazil Foods - fusão da Sadia com a Perdigão e fusão dos grupos JBS – Friboi); Petroquímica (fortalecimento do grupo Braskem); Sucroalcooleiro (fortalecimento do grupo ETH Bioenergia, controlado pela Odebrecht), isso para ficar em apenas alguns casos.

A principal característica do capitalismo brasileiro é a ativa participação do Estado na constituição de novos global players em diferentes ramos da atividade econômica. Nas palavras de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, “empresas brasileiras competentes e competitivas devem merecer o apoio do BNDES para se afirmarem internacionalmente”.

No governo Lula, e agora no governo Dilma, o BNDES vem sendo decisivo para a conformação de grupos econômicos fortes e que em comum têm o Estado como o indutor do negócio, seja através de empréstimos ou compra de ações. Em outros, o Estado é o facilitador ou ainda assume o papel de sócio. Em todos eles, a ação privilegia o fortalecimento do capital nacional frente ao capital transnacional.

O modelo neodesenvolvimentista acredita que o capitalismo brasileiro precisa ser fortalecido para enfrentar o capital de fora e não correr o risco de ser engolido. Nessa visão, capital nacional forte significa também Estado forte. Isso explica também o dinheiro generoso do Estado para empresas como Vale e Embraer.

Lula e Dilma são nacionalistas, ou seja, defendem a ativa participação e presença do Estado na economia como um agente regulador e indutor do crescimento econômico.  Reeditam dessa forma o nacional-desenvolvimentismo do governo Vargas. Porém, atente-se para o fato de que o nacional-desenvolvimentismo praticado pelo governo Lula/Dilma é distinto do praticado na Era Vargas.

No período anterior, os investimentos realizados pelo Estado constituíram a formação de um capital produtivo sob controle do próprio Estado. Foi assim que surgiu a CSN, a Companhia Vale do Rio Doce, a Petrobras, a Eletrobrás, o sistema Telebrás. Foram essas empresas que possibilitaram a modernização – conservadora – do país e o alçaram a uma das potências econômicas mundiais. Agora, entretanto, o nacional-desenvolvimentismo em curso repassa recursos do Estado para o capital privado na crença de que ele induzirá o crescimento nacional e fortalecerá o país na disputa comercial internacional.

Pode-se concordar ou não com essa concepção de Estado, surpreender-se, porém com o anúncio de que o BNDES poderá vir colocar recursos polpudos na fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, revela falta de compreensão da essência do governo Lula/Dilma.

Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

01/07/11