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Wall Street quer sangue!

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(5’59” / 1,38 Mb) – O papel e a influência exercida pelas agências de classificação de risco na economia mundial ganharam ainda mais relevância nos últimos dias. Isso aconteceu em função da ameaça dessas agências em rebaixar a economia americana. Um sinal de que a crise pode assumir proporção ainda mais grave de que a crise de 2008.

As agências de risco, basicamente três delas – Moody's, Standard & Poors's (S&P) e Fitch Ratings – foram o terror dos países latino-americanos e asiáticos nos anos 80 e 90. Continuaram exercendo influência nos anos 2000, porém, perderam poder, particularmente na América Latina, com o enfraquecimento do neoliberalismo nos países da região.

Mesmo assim, continuaram desfrutando de prestígio como se verificou em 2008 quando a agência de risco Standard & Poors (S&P) promoveu o Brasil ao chamado grau de investimento - investment grade. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a notícia. "Não resta dúvida que agora somos um país sério", disse o então presidente Lula.

Para ser “país sério” se fazia necessário ter uma boa nota no ranking das agências de risco. Durante décadas países asiáticos e latino-americanos foram amaldiçoados por essas agências. Desempenhavam papel similar ao da Congregação para a Doutrina da Fé no tempo da Inquisição: julgavam e condenavam ao anátema aqueles países que não cumpriam as obrigações determinadas pelo mercado financeiro.

O “pão que o diabo amassou” que durante anos países pobres e emergentes comeram das mãos das agências de risco, voltou-se para alguns países da Europa e, surpreendentemente, até mesmo para a Meca do capitalismo mundial, os Estados Unidos (EUA). As agências de risco após espalham pavor pelo continente europeu, ameaçando países do porte como a Espanha e Itália, ameaçam agora os EUA.

A diferença é que na época em que as “Moody´s e Standard & Poors da vida” rebaixavam os países asiáticos e latino-americanos, taxando-os de pária no mercado internacional, ninguém se importava. Países como o Brasil, México e a Argentina, os maiores do continente latino-americano, foram castigados duramente por anos a fio pelas agências de rating e abandonados à própria sorte. Agora, entretanto, a inteligência europeia levanta sua ira contra essas agências.

“Wall Street quer sangue”! A afirmação teria sido usada pelo ministro Pedro Parente (ex-ministro chefe da Casa Civil de FHC) segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações de FHC), numa alusão ao pacote fiscal do governo Fernando Henrique Cardoso  em 1997, conhecido como “Pacote 51”. O pacote foi uma exigência do mercado financeiro internacional para a concessão de crédito para o país que se encontrava em grave crise econômica.

A expressão “Wall Street quer sangue!” simboliza a era do poder das agências de risco sediadas em Wall Street. Poder que pelo visto não perderam como se observa na retomada da crise mundial. Essas agências em profunda sintonia com o Fundo Monetário Internacional impuseram políticas draconianas de ajuste fiscal para garantir recursos dos países pobres e em desenvolvimento. Isso ajuda no pagamento dos juros das dívidas devidos aos bancos e aos países ricos.

As políticas de Wall Street levaram em 1994 o México mergulhar em uma profunda depressão; em 1997 foi a vez das economias emergentes asiáticas [Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul] enfrentarem uma aguda crise econômica; em 1998 foi a vez da Rússia; em 2002 a Argentina foi ao fundo do poço. O Brasil, por sua vez, “quebrou” ao menos três vezes [1987, 1998 e 2002].

Em todas essas crises se viu o poder dessas agências de risco. As mesmas contribuíram para empurrar os países para o abismo. Sempre agindo e defendendo os interesses da banca financeira e do “quarteto divino” (a expressão é de Delfim Netto) – FMI, BIRD, BID e OMC  -  as agências de consultoria, de rating ou risco como são conhecidas, foram decisivas para carimbar essas economias como não confiáveis e, portanto, não merecedoras de apoio. No momento em que mais precisavam de apoio internacional, o garrote da banca financeira exigia mais e mais sacrifícios.

Até quando essas agências de risco que não tem absolutamente nenhuma relação com a economia real e sim com a economia financeira e especulativas continuarão devastando países e vidas?

Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

18/07/11