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Parem! Alerta o Planeta

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(5'21'' / 1,23 Mb) - A Campanha da Fraternidade de 2011, que tem como tema “Fraternidade e a vida no planeta” e lema “A criação geme em dores de parto”, alerta para o fato de que nós, seres humanos, seres vivos e Terra, formamos um conjunto inseparável. O destino da Terra e da humanidade coincide: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos. A crise ecológica, tema da CF desse ano, é um chamamento à consciência de que os destinos humanos e de Gaia – o organismo vivo que é a Terra – estão relacionados e entrelaçados, um depende do outro.

O grande e maior desafio no limiar desse século é como salvar a humanidade e ela depende e está inexoravelmente ligada à salvação do planeta, ou seja, emerge com intensidade crescente a consciência de que há uma relação vital entre a saga da vida, em especial, da vida humana na Terra e a própria sobrevivência do Planeta e de que qualquer projeto radicalmente alternativo de sociedade não pode desconsiderar a questão ecológica.

O que aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro, centenas de mortos, dor e sofrimento, é uma manifestação de que nós, comunidade humana, não estamos respeitando os limites e sinais emitidos pela natureza.

O planeta Terra dá sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Nosso consumo dos recursos naturais já excede em 30% a capacidade do planeta se regenerar. Na essência da crise encontra-se o “modo de produzir” e o “modo de consumir” da sociedade capitalista que está levando o planeta ao esgotamento. O capital transformou tudo em mercadoria. A água, o ar, a terra, os bens que contém o subsolo, os códigos genéticos e até mesmo as relações de sociais são convertidas em mercadoria.

A economia deixou de ser a “serva” da sociedade para se tornar a sua “senhora”. Impulsionada pela ideia de progresso linear e quantitativo assentado sobre o crescimento econômico e recursos naturais ilimitados, a economia, na sociedade industrial, foi se desvencilhando gradativamente da ética e da política e passou a ser orientada e regida tão somente pelo mercado. Passou a prevalecer a relação de dominação, de subjugação, lógica expressa na máxima de descartes de que “somos senhores e dominadores da natureza”.

Esta visão justificou, e ainda justifica a visão predatória dos recursos naturais, a extinção da biodiversidade, a poluição. A natureza passa a ser considerada pela economia como uma externalidade, isto é, como algo que não entra no cálculo econômico. Justificava-se a destruição da natureza em vista da criação de “riqueza”.

Agora se percebe que os recursos naturais do planeta são finitos e que o modelo econômico baseado na produção e no consumo infinito, já não é mais possível.  A insistência em persistir nessa lógica, regida pela ideia dominante de crescimento infinito anuncia algo inimaginável até pouco tempo atrás: a real possibilidade da extinção da espécie humana do planeta. Essa é a maior e mais grave crise que teremos que enfrentar.

Infelizmente a temática ambiental tem sido relegada e subordinada à agenda econômica. Pior ainda, a uma agenda dependente de um padrão de desenvolvimento fordista. Embora a questão ecológica esteja no centro da crise civilizacional e diga respeito ao futuro da humanidade – a de que fazemos parte de uma comunidade humana que tem um destino comum, poucos levam a sério as advertências de que avançamos o sinal e de que se faz necessário um pacto urgente e uma radical moratória de não agressão ao meio ambiente.

A grande questão de fundo posta hoje é que tipo de crescimento econômico queremos. Por muito tempo, acreditou-se que o crescimento econômico seria a varinha de condão para a resolução de todos os problemas. Particularmente da pobreza. A equação é conhecida. O crescimento econômico produziria um círculo virtuoso: produção-emprego-consumo. Porém, o axioma de que apenas o crescimento econômico torna possível a justiça social não é verdadeiro. Será que o grande projeto brasileiro é transformar todos os cidadãos em consumidores? 

Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

07/02/11