Flexibilização de horários ameaça continuidade da Voz do Brasil
Programa é a única oportunidade de comunidades do interior do país terem acesso a informações sobre a administração estatal.
(1’45” / 412 Kb) - A extinção ou continuidade do programa A Voz do Brasil podem ser decididas nos próximos dias. O Projeto de Lei (PL) que concede às emissoras de rádio comerciais e comunitárias liberdade para escolher entre às 19h e 22h o horário de transmissão do programa ainda não recebeu parecer final dos parlamentares na Câmara Federal.
O PL entraria em votação na semana passada, mas a liderança do PT foi contra a inclusão da proposta na pauta. O argumento usado classifica a iniciativa como uma forma de acabar com o programa. As emissoras comerciais estariam interessadas em utilizar o horário nobre para publicidade.
O tema volta a ser discutido nesta terça-feira (3) pela bancada do PT, partido que detêm a Presidência da Casa.
O jornalista e presidente da TV Cidade Livre de Brasília, Beto Almeida, alerta que a medida abre caminho para a criação de uma legislação futura que acabe de vez com o programa.
“Hoje, sendo obrigatória a Voz do Brasil, você já não tem condição de fiscalizar 7 mil rádios. Imagine se você flexibilizar o horário. É na verdade um truque que os oligarcas da informação estão utilizando para tornar infiscalizável.”
Almeida ressalta o papel do programa como única oportunidade de muitos cidadãos terem acesso a informações sobre a administração estatal.
“O preço mínimo da borracha, por exemplo, através de um radinho o seringueiro que fica três, quatro, dias pela floresta trabalhando ele recebe essa informação pela Voz do Brasil. E os deputados sabendo disso passam a informação do preço da borracha na Tribuna da Câmara porque sabem que a voz do Brasil vai transmitir essa informação”.
De São Paulo, da Radioagência NP, Daniele Silveira.
02/07/12
