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Barragens da discórdia

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(4'20" / 990 Kb) - "Hidrelétricas servirão, sobretudo, para subsidiar energia para grandes empresas  como Alcoa, Votorantim, Vale, Gerdau e CSN." Os caudalosos cursos d’água de três dos mais importantes afluentes do Amazonas – Xingu, Madeira e Tapajós – serão interrompidos por imponentes barragens. Florestas, rochas, árvores, fauna e flora que desde tempos imemoriais formam ecossistemas singulares serão sepultados para sempre.

César Sanson

(4'20" / 990 Kb) - Águas barrentas criarão lagos artificiais e com ele milhares de pessoas serão deslocadas, cidades serão encobertas e aldeias indígenas desaparecerão.

Habituados ao percurso milenar de suas águas, os rios certamente lutarão até o final de suas forças para recuperar sua liberdade, porém chegará o momento em que serão vencidos pelas barreiras artificiais e no lugar das corredeiras apenas um lago, silencioso e estancado.

A construção das hidrelétricas de Belo Monte no rio Xingu; Santo Antonio e Jirau no rio Madeira e São Luiz de Tapajós, Jatobá, Cachoeira dos Patos, Jamanxim e Cachoeira do Caí no rio Tapajós anunciam, entretanto, muito mais do que um simples duelo entre as águas e as barragens. O duelo das águas simboliza, sobretudo, uma disputa de modelo econômico para a região e para o país. O debate em torno das hidrelétricas opõe concepções e projetos de sociedade e revelam visões de mundo.

A construção das hidrelétricas no Xingu, Madeira e Tapajós vem sendo apresentadas como imprescindíveis. O governo afirma que se trata de obras absolutamente necessárias e indispensáveis para suprir a crescente demanda de energia no país. O passivo ambiental e social é o preço a ser pago para dar continuidade ao crescimento econômico. “Sem as hidrelétricas o Brasil para”, tem sido o discurso do Estado. Sucumbir ao argumento do governo, entretanto, é abdicar do debate.

Uma primeira e importante pergunta a ser feita é: Energia para quê e para quem? A quem se destinarão os milhões de quilowatts de energia a ser produzida? O argumento do governo é de que as hidrelétricas em operação garantirão estabilidade maior ao sistema nacional integrado de produção de energia – o Operador Nacional do Sistema (ONS).

A motivação não se resume ao argumento do afastamento definitivo do “apagão”. Há outras motivações nem sempre explícitas. E entre elas, o fato de que as hidrelétricas servirão, sobretudo, para subsidiar energia para grandes empresas exportadora de commodities como Alcoa, Votorantim, Vale, Gerdau e CSN que inclusive já manifestaram interesse em participar do leilão de Belo Monte.

Há ainda outra questão de fundo: Será que é uma atitude inteligente centralizar a produção de energia em mega-hidrelétricas?

A principal luta social que se trava hoje no país se dá na região Amazônica. A “vanguarda” da luta se deslocou para o Norte do país – é lá que se dá o debate do “Brasil que queremos”. O surgimento do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Movimento Rio Madeira Vivo e Aliança Tapajós é a manifestação visível dessa luta. Acompanhar esse debate e essa luta é estar sintonizado com o que há de novo no movimento social brasileiro. É de lá que vem a inquietante e pertinente indagação: Que tipo de modelo econômico e de sociedade queremos?

Pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

18/03/10