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Crianças em disputa: o ataque do capital (I/II)

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(5'02'' / 1,15 Mb) - O Projeto Agora: a educação formal a serviço do capital. Neste texto trataremos como as empresas gigantes do cultivo da cana têm assumido a educação formal na região centro-sul do país, que concentra praticamente 90% de toda produção canavieira do Brasil.

Cem municípios da região centro sul, espalhados por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, encubam o processo de educação formal denominado projeto Agora, que entre atividades,  fornece um “Kit pedagógico para os alunos”.

Este projeto dirigido para a educação formal de educandos da 7ª. e 8ª. series, com idade entre 12 a 15 anos, é uma parceria público-privada entre instituições governamentais, alguns sindicatos e o grande capital. Itaú, Monsanto, Basf, Dedine, CEISI, Amyris, BP, FMC e SEW Eurodrive, são as empresas centrais do processo.

O que se lê no kit educativo?

O documento nos mostra cinco concepções intencionalmente dirigidas à formação da futura geração de trabalhadores:

1.  Desenvolvimento e progresso. Evidenciada pelo aparente rico histórico da monocultura e do latifúndio no Brasil que não é, no documento, contrário à diversidade produtiva.

2.  Inclusão social com dignidade. Traz a ideia de jovem empreendedor associado ao trabalho técnico na indústria da cana, que não relata a particularidade histórica do trabalho escravo e da superexploração deste cultivo em tempos atuais.

3.  História reduzida à vitória do capital. Neste ponto não aparecem as lutas ocorridas nos territórios, as disputas reais vividas pelos diversos sujeitos sociais, e a produção de processos políticos antagônicos sobre a apropriação do trabalho.

4.  Terra e riqueza associada ao progresso. Processo que não questiona nem o tamanho da propriedade, nem o uso da terra, e principalmente, não relata as contradições na forma e no conteúdo da utilização dos recursos, e do trabalho.

5.  Educação adestradora. Uma validação da lógica dominante voltada para os grandes projetos, para a incorporação de um ser pertencente à vantagem competitiva do grande capital, ou um ser excluído desta possibilidade.

O que está por trás da leitura?

O kit educativo é uma cartilha de agitação e propaganda da indústria canavieira. Faz um superficial recorrido histórico sobre o cultivo da cana até o Brasil colonial, onde não são manifestas lutas, disputas, contestações á imposição do poder.

As concepções de colônia de exploração e de plantation manifestas na cartilha não evidenciam o trabalho escravo, o monocultivo e o latifúndio como mola propulsora do processo de desenvolvimento brasileiro, em que expropriação e exploração constituem as raízes ilícitas do enriquecimento do capital no território.

Na superficialidade demonstra sua capacidade destruidora da educação e da história nos sonhos concretos dos jovens sujeitos.

Da debilidade histórica o texto passa rapidamente para os dados atuais sobre a posição do Brasil no ranking mundial das grandes potências produtoras de cana, como se isto fosse fruto de uma relação de igualdade entre trabalhadores e capitalistas.

Com base nos dados do IBGE, mostra que o Brasil é o primeiro produtor de cana do mundo com 645 milhões de toneladas produzidas em 2008. Mas não diz o que isto significa na prática dos territórios e das vidas produtoras de riqueza expropriada pelo capital.

Salta aos olhos que o documento é mais do que agitação e propaganda, é um processo complexo e diversificado de formação ideológica através da educação formal.

É um processo de construção prática da intencionalidade “educativa” do capital. Formação para a consolidação sustentável de um exército industrial de reservas consciente de sua necessidade de inclusão dentro da ordem.

É um processo de construção da educação formal para a manutenção da ordem e do progresso burgueses, que não admite outro conceito que não o da benevolência do capital na vida dos sujeitos, na produção da pátria, na construção da era global.

É um processo de construção ético-moral burguês que oculta o real. Em sua aparente máscara de inclusão, prosperidade, modernização, encobre a história da opressão-exploração-dominação.

O que no kit educativo aparece como dado, para nós trabalhadores deve ser entendido como questões que nos permitam revelar o que está oculto no ponto de vista colocado.

No próximo texto trarei da concepção de quais são as grandes questões colocadas a partir do kit.

Economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

09/03/11

Crianças em disputa: o ataque do capital (II/II)