O médico Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes, que atende em Resende Costa, no interior de Minas Gerais, dobrou a própria operação a cada ano desde a abertura do consultório e chega a mais de cento e cinquenta pacientes ativos, atendidos por protocolos individualizados construídos caso a caso.
O que é medicina personalizada?
Medicina personalizada é o modelo de cuidado que ajusta prevenção, diagnóstico e tratamento às características de cada paciente, e não a um protocolo padronizado.
A leitura mais divulgada do conceito associa o termo ao eixo genômico, com sequenciamento e exames moleculares aplicados sobretudo à oncologia, mas a mesma lógica de individualização já organiza consultórios de clínica geral, hormonologia, nutrição e medicina do exercício, onde o ajuste nasce da história do paciente.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), descreve a atenção primária à saúde como o setor que cuida das pessoas em vez de apenas tratar doenças ou condições específicas.
Essa formulação institucional é o que dá lastro ao cuidado individualizado praticado fora do ambiente hospitalar.
O que a organização descreve como base do modelo assistencial:
- Cobertura da atenção primária à saúde (APS): de 80% a 90% das necessidades de saúde de uma pessoa ao longo da vida
- Foco declarado: cuidar da pessoa, em vez de apenas tratar doenças ou condições específicas
- Posição na rede: primeiro ponto de contato de quem procura atendimento
Medicina personalizada e medicina de precisão são a mesma coisa?
Não exatamente: medicina de precisão nomeia o recorte que usa dados genômicos, enquanto o protocolo individualizado de consultório parte de hábitos e exames comuns.
A cobertura de imprensa concentra o assunto no ramo genômico e oncológico porque é ali que a tecnologia aparece com custo alto e resultado visível, o que deixa fora do radar o acompanhamento individualizado que já acontece em ambulatório, com escuta longa, revisão de rotina e ajuste periódico de conduta.
É nesse segundo terreno que Eliphas Levi atua, na face da medicina personalizada mais presente no dia a dia, com protocolo montado a partir de consulta, exames de rotina e acompanhamento continuado ao longo do tempo.
| Eixo do conceito | Onde costuma acontecer | Base do ajuste do tratamento |
|---|---|---|
| Medicina de precisão | Centros de referência e serviços de oncologia | Dados genômicos e moleculares |
| Protocolo individualizado ambulatorial | Consultório e clínica de atendimento contínuo | História de vida, rotina e exames de rotina |
Como funciona um acompanhamento individualizado na prática?
O acompanhamento parte de uma leitura ampla da rotina do paciente e se organiza em etapas revisadas periodicamente pelo médico responsável.
No atendimento conduzido por Eliphas Levi, o desenho recebe o nome de Método RDA, sigla de rotina, desenvolvimento e aprimoramento, e parte da premissa de que o plano de cuidado se constrói com a história inteira da pessoa, e não apenas com o resultado isolado de um exame.
As etapas que estruturam esse tipo de atendimento:
- Consulta inicial longa, com levantamento de rotina, sono, alimentação, atividade física e histórico familiar
- Pedido de exames conforme a queixa e o histórico, sem painel padronizado igual para todos
- Montagem do plano de cuidado, com metas escritas e prazo definido de revisão
- Revisões periódicas, em que a conduta muda conforme a resposta do paciente
- Registro da evolução, que serve de base para a consulta seguinte
A diferença em relação a consultas avulsas está na continuidade. O mesmo médico acompanha a evolução e corrige o plano, em vez de reiniciar a investigação a cada atendimento.
Que números marcam o crescimento do atendimento mineiro?
A operação dobrou de tamanho a cada ano desde a abertura e saiu de um consultório de uma sala para uma estrutura própria.
A base fica em Resende Costa, no interior de Minas Gerais, ocupa uma unidade com três salas, entre elas uma de estética e uma de atendimento médico multiprofissional, e soma mais de cento e cinquenta pacientes ativos, além de clínicas parceiras em Belo Horizonte e atendimento em Betim.
O escopo reúne hormonologia, emagrecimento, longevidade e estética, incluindo reposição hormonal personalizada, sob responsabilidade do próprio médico, que tem atuação nessas áreas.
| Indicador da operação mineira | Marca registrada |
|---|---|
| Ritmo de crescimento anual | 100% ao ano |
| Tempo nesse ritmo | 3 anos consecutivos |
| Pacientes ativos | mais de 150 |
| Salas na sede | 3 |
| Área da unidade | 60 m² |
O crescimento de um atendimento instalado fora dos grandes centros urbanos diz algo sobre a procura. Existe demanda por acompanhamento individualizado em cidade pequena, sustentada por quem paga do próprio bolso.
Por que a procura por esse modelo tem crescido?
A procura cresce entre adultos que buscam continuidade de cuidado e não encontram esse formato em consultas isoladas.
O perfil típico reúne pessoas com queixas que atravessam várias especialidades, como ganho de peso, cansaço, sono ruim e alterações hormonais, e que já passaram por atendimentos pontuais sem chegar a um plano único que amarre todas essas frentes ao longo do tempo.
Esse gasto privado é medido oficialmente.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mantém a Conta-Satélite de Saúde, que apura o consumo final de bens e serviços de saúde pela população residente, em trabalho conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Ministério da Saúde.
A existência dessa medição mostra que o gasto das famílias com saúde deixou de ser detalhe e virou objeto de estatística pública. A procura por medicina personalizada aparece dentro desse mesmo movimento de consumo privado de cuidado.
O que a atenção centrada na pessoa recomenda?
A atenção centrada na pessoa organiza o cuidado em torno de quem é atendido, com acompanhamento continuado no lugar de episódios isolados.
A Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), do Ministério da Saúde, estabelece que a atenção primária deve se orientar pelos princípios da continuidade do cuidado e da integralidade, com ações de promoção, proteção, prevenção, diagnóstico e tratamento articuladas na rede pública.
Os dois princípios ajudam a ler qualquer oferta privada de acompanhamento. Continuidade quer dizer que alguém responde pelo caso ao longo do tempo. Integralidade quer dizer que o plano considera a pessoa inteira, não apenas a queixa que motivou a consulta.
A medicina personalizada de consultório se apoia nesses mesmos dois princípios, ainda que aconteça fora do Sistema Único de Saúde (SUS).
O que considerar antes de procurar esse tipo de acompanhamento?
Antes de fechar um acompanhamento individualizado, vale conferir quem responde pelo caso, o que está escrito no plano e como as revisões acontecem.
O critério mais simples é a continuidade real, ou seja, se existe um médico responsável identificado, com registro da evolução e data marcada de retorno, porque um protocolo individualizado sem revisão periódica vira apenas uma receita longa entregue na primeira consulta e nunca revisada.
O que conferir antes de iniciar:
- Médico responsável identificado, com registro em prontuário e retorno marcado
- Plano escrito, com metas e prazo de revisão, em vez de orientação verbal solta
- Exames pedidos conforme a queixa, sem painel igual para todos os pacientes
- Explicação clara do que cada etapa pretende, em linguagem que o paciente entende
- Ausência de promessa de resultado, de prazo fixo de perda de peso ou de promessa de reverter quadros
Há situações em que esse formato não se justifica.
Queixa pontual, quadro agudo e demanda de especialidade única continuam sendo resolvidos por uma consulta convencional, e o modelo individualizado só faz sentido quando o problema atravessa hábitos, rotina e mais de uma frente clínica.
A escolha do tipo de acompanhamento é clínica e cabe ao médico. Consulte um médico para orientação personalizada antes de iniciar qualquer protocolo, inclusive os que envolvem medicina personalizada.


