Crédito: Equipe de Arte ACI Unesp / Divulgação Proade “É importante que as pessoas consigam reconhecer o assédio e identificar como ele se materializa nas nossas relações sociais, e o que deve ser feito a partir dessa identificação nos canais de denúncia e acolhimento”, explica Ana Maria Klein, docente da Unesp e assessora da Proade. Nesse sentido, a Unesp conta com meios de atendimento como o Acolhe Unesp, um centro de apoio voltado à comunidade acadêmica, que oferece escuta especializada, acolhimento e encaminhamentos nos âmbitos social, acadêmico e legal; a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que atua na promoção de condições adequadas de trabalho e na saúde e segurança de trabalhadoras; e a Ouvidoria da Unesp, responsável por acolher, analisar, acompanhar e mediar casos individuais ou coletivos de violação de direitos. O conhecimento sobre legislações que protegem as mulheres em situações de violência também é essencial. Por isso, o material destaca normas relevantes, inclusive no contexto institucional, como a Portaria Unesp nº 68, de 26 de julho de 2022, que instituiu a Política Educativa de Enfrentamento ao assédio moral e sexual, à importunação sexual e a diferentes formas de discriminação e preconceito relacionados à origem, etnia, gênero, orientação sexual, religião ou crença, nível socioeconômico e condição física ou psíquica. O Guia é fruto de um trabalho colaborativo entre as equipes da Proade e estudantes de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design de Bauru. A nova edição foi construída com base em produções recentes sobre o tema elaboradas por órgãos públicos e instituições de ensino superior, com o objetivo de adaptar o conteúdo ao contexto universitário atual. “O projeto gráfico da Lorena Couto Chiaperini [pós-graduanda em Design] ficou muito bonito. A ideia é que seja uma leitura acessível, inclusive para quem tem baixa visão, que possa ser lido e consultado com facilidade”, comenta Larissa Pelúcio. “Foi uma produção conjunta, com muita reflexão.” A iniciativa destaca que a compreensão dos assédios e de outras práticas discriminatórias envolve um recorte de gênero, uma vez que essas violências atingem de forma desproporcional mulheres e outros grupos historicamente vulneráveis. Por esse motivo, a atualização do Guia ocorre no mês do Dia Internacional das Mulheres. Neste mês de março, a Unesp tem reforçado o compromisso com a promoção da equidade, da inclusão, do respeito e da valorização da diversidade no ambiente acadêmico, garantindo que toda a comunidade unespiana tenha acesso pleno e equitativo ao ensino, à pesquisa, à extensão, à cultura e às condições de trabalho. Ações institucionais e educacionais O Guia produzido pela Proade integra um conjunto mais amplo de medidas de prevenção e combate à violência contra a mulher na Universidade. Grande parte dessas ações surge a partir do grupo de trabalho GT Mulheres Unesp, que reúne representantes dos 24 câmpus e de todos os segmentos — estudantes, docentes e servidoras — para debater desafios e propor iniciativas voltadas às mulheres no ambiente universitário. Aliada a esse grupo, a Proade tem promovido diversas ações de letramento e conscientização para a comunidade unespiana. Um exemplo é o curso Gênero, Feminismos e Violência, que aborda a temática no contexto brasileiro, propondo práticas educativas e inclusivas para orientar as relações interpessoais e institucionais. O curso está disponível para a comunidade interna e externa no site da Proade. Entre as ações educacionais mais recentes, destaca-se o ciclo de lives do Mês Internacional das Mulheres, que abordou temas como a intelectualidade de mulheres negras, com a docente da PUC-SP Rosane Borges; relações de gênero e masculinidades, com Pedro de Figueiredo, idealizador da plataforma MEMOH; e aspectos legais da caracterização do assédio, com Maíra Recchia, presidente da Comissão das Mulheres da OAB/SP. Todas as transmissões estão disponíveis no canal oficial da Proade no YouTube. Desde maio de 2025, está em andamento o programa “Unesp Sem Assédio — sem medo, sem impunidade”, que percorreu as 34 unidades da Universidade promovendo debates sobre o enfrentamento ao assédio moral e sexual. A iniciativa também inclui campanhas, cursos obrigatórios e ações de formação. Ana Maria Klein afirma que esse conjunto de ações está alinhado a uma das prioridades da gestão da Unesp. “Desde o início, a reitora Maysa Furlan solicitou que a Pró-reitoria enfrentasse o assédio na Universidade de maneira efetiva. É um ato de coragem assumir esse tema como pauta da gestão e promover diversas ações decorrentes dessa decisão”, afirma. “Toda vez que trabalhamos com assédio, é fundamental enfatizar a importância do acesso à informação, como ocorre com o Guia e com nossas outras iniciativas. À medida que o tema é debatido, as pessoas tomam consciência, passam a reconhecer o assédio e ele deixa de ser naturalizado. Precisamos discutir e informar para enfrentá-lo, pois não falar sobre o problema contribui para sua permanência”, ressalta a assessora da Proade. O Guia de prevenção, identificação e enfrentamento do assédio sexual e moral na Unesp está disponível em formato digital no site da Proade